Dan Da Dan #01: Sobrenatural, romance e caos em um dos mangás mais originais da atualidade

Leonardo Fraga
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Dan Da Dan #01, de Yukinobu Tatsu, é uma daquelas obras que parecem ter saído diretamente da mente de alguém em estado de combustão criativa. Publicado no Brasil pela Panini Comics, o mangá nasceu de um simples, e libertador, conselho dado por Shihei Lin, editor da Shonen Jump+: “Desenhe livremente, sem pensar em nada, mesmo que seja só uma página.” O resultado? Uma história vibrante que mistura ação sobrenatural, comédia, horror e romance de forma única e caótica.




A trama gira em torno de dois adolescentes carismáticos: Momo Ayase, uma jovem destemida que acredita em fantasmas e fenômenos sobrenaturais, e Ken Takakura, seu colega cético, inseguro e obcecado por alienígenas. Momo, aliás, apelida o garoto de Okarun, por ele ter o mesmo nome de um ator japonês que ela é apaixonada. Os dois decidem testar suas crenças em um desafio: cada um investigará um local assombrado ou com relatos de extraterrestres, com a intenção de provar que sua visão de mundo está certa.




Mas o improvável acontece: ambos estavam certos. É o início de uma sequência de eventos absolutamente insanos envolvendo monstros, fantasmas, alienígenas e outras entidades bizarras. Entre corridas frenéticas e momentos hilários, o que se constrói também é uma forte relação de amizade e crescimento pessoal entre os protagonistas.

A criação de Dan Da Dan foi tão espontânea quanto sua trama. Tatsu não seguiu um storyboard tradicional, boa parte da história e dos personagens surgiu em conversas informais com seus editores. Um exemplo divertido é a personagem Vovó Turbo, que segundo Tatsu é um apelido que ele recebeu na infância: 100 Kilo Baba, algo como “Vovó dos 100 quilos”. Ele achava divertido o contraste entre Turbo e Vovó e usou isto para criar a personagem. O desenvolvimento orgânico de Dan Da Dan leva a momentos memoráveis, como a ideia de Okarun “perder suas bolas”, que surgiu em uma conversa informal entre Tatsu e o editor enquanto bebiam. Essa liberdade criativa dá ao mangá uma sensação de frescor difícil de encontrar em outras obras do gênero.




Mesmo com monstros grotescos e um visual por vezes inquietante, Tatsu deixa claro que não é fã de horror puro. Ele cita Tomie, de Junji Ito, como algo que o assusta de verdade, e prefere usar o grotesco de forma divertida, criando um universo tão bizarro quanto cômico. Dan Da Dan aposta no absurdo com maestria, e o resultado é uma experiência visual intensa, com quadros cheios de energia, ângulos cinematográficos e uma arte que brilha tanto no papel quanto na adaptação em anime.

Mas nem só de ação vive o mangá. Um dos pontos altos é o desenvolvimento dos personagens. Momo e Okarun começam em conflito, mas aos poucos criam laços sinceros, enfrentando juntos seus medos e inseguranças. Esse cuidado com a construção emocional dos protagonistas foi incentivado por outro editor, Shihei Hayashi, que ao receber o primeiro one-shot de Tatsu, enviou a ele 100 mangás shoujo (obras voltadas principalmente para o público feminino jovem) e disse: “Se quiser mudar as coisas, vamos fazer uma comédia romântica como ninguém fez antes.”




“Gostei muito das partes em que os personagens brigam, mas de alguma forma fazem as pazes, o que não é encontrado em mangás shounen (obras dedicadas ao público masculino jovem). Pensei em acrescentar algumas piadas para os leitores não se cansarem de ler a história, e assim por diante", destacou o mangaká, sobre uma das características mais elogiadas pelo público.




Com mais de 14 volumes já publicados no Brasil, Dan Da Dan é uma leitura divertida, imprevisível e cheia de personalidade. Ideal para quem procura uma obra com ação, humor, alma e um estilo narrativo que foge do comum. Em um mercado tão saturado de fórmulas, Tatsu entrega algo que soa novo e incrivelmente autêntico.

Tatsu é desses mangakás que preservam sua identidade. Neste vídeo vemos um pouco mais sobre o processo de criação de Dan Da Dan e o início da carreira do mangaká:

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