
“Planeta dos Mortos” é o ponto de partida de uma ousada minissérie em oito edições que apresenta um Dylan Dog envelhecido, já com seus 50 anos, mergulhado em um mundo à beira do colapso zumbi. Mas esta não é apenas mais uma história sobre
mortos-vivos: aqui, o horror se mistura com drama humano, crítica social e dilemas morais profundos.
Publicado pela Editora Panini, a edição traz duas histórias. Logo na primeira, “Adeus, Groucho” (originalmente publicada em Dylan Dog ColorFest #10), somos confrontados com a chocante revelação de que a epidemia teve início por causa do próprio Dylan. O roteiro, assinado por Alessandro Bilotta, conduz com maestria um capítulo de tom melancólico e reflexivo, que marca o fim de uma era para o protagonista e, como o título indica, a despedida de seu inseparável companheiro Groucho.
A segunda parte da edição, “O Crepúsculo dos Vivos-Morrentes”, mergulha de cabeça nas consequências desse evento e apresenta o mundo reconfigurado diante da nova realidade zumbi. Bilotta, novamente no roteiro, constrói um cenário complexo e surpreendentemente original. Em vez do habitual apocalipse sangrento, o foco aqui é a adaptação social e política a uma nova espécie convivendo entre os vivos.
O Inspetor Bloch também está presente, agora aposentado e
lidando com o avanço do Alzheimer. Ainda assim, seus lampejos de lucidez o
transformam em uma das figuras mais comoventes e inteligentes do arco.
Visualmente, a obra tem excelentes desenhos. A primeira história conta com os desenhos de Paolo Martinello, enquanto a segunda é ilustrada por Daniela Vetro, que acerta em cheio no tom e na nova caracterização de Dylan, adaptado ao peso da idade.
E como se não bastasse, “Planeta dos Mortos” ainda oferece
momentos marcantes: um pai que esconde seu filho zumbi em casa; muralhas que
dividem vivos e mortos; uma sociedade dividida entre repressão, convivência
forçada e medo constante. Há até um toque de humor mórbido: a própria “Morte”,
agora desempregada, precisa fazer bicos para sobreviver.
Com roteiro afiado, camadas de crítica social e uma abordagem inusitada sobre o apocalipse, “Dylan Dog – Planeta dos Mortos” promete ser uma das sagas mais instigantes e maduras do personagem. Um verdadeiro divisor de águas na mitologia do Investigador do Pesadelo que pode ser aproveitado por novos e antigos leitores do personagem.
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