Martin Mystère #1: Os Homens de Negro

Leonardo Fraga
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Nosso planeta e o universo são uma fonte inesgotável de mistérios, e poucos personagens dos quadrinhos parecem tão dispostos a explorá-los quanto Martin Mystère. O arqueólogo que encontra nas lacunas da história, nas lendas e nas descobertas científicas motivos suficientes para abandonar o conforto de casa e se meter em diversas aventuras. Criado pelo saudoso Alfredo Castelli, e visualmente por Giancarlo Alessandrini, o chamado Detetive do Impossível chegou às bancas italianas em 1982.


Giancarlo Alessandrini e Alfredo Castelli.

Não é exagero dizer que quando a primeira edição chegou trazendo a história “Os Homens de Negro”, a editora Sergio Bonelli passou por uma profunda transformação. Diferente de Zagor, Mister No e Tex, Mystère se passa no presente, e o herói usa principalmente o cérebro para superar seus desafios. Embora não faltassem perseguições, confrontos e lugares exóticos, o que move as histórias é a vontade de compreender aquilo que parece escapar às explicações já conhecidas.

Esse universo ganha uma nova porta de entrada no Brasil com o encadernado da Editora 85, que reúne em 564 páginas, cinco histórias, textos complementares e uma aventura extra produzida quando o protagonista ainda se chamava Doc Robinson. A proposta da coleção é seguir a ordem cronológica e deixar histórias completas em cada volume, com edições que podem variar entre 400 e 600 páginas, permitindo que o leitor acompanhe o desenvolvimento da série sem interromper uma investigação pela metade.




A proximidade com Indiana Jones é fácil de perceber, sobretudo nas primeiras aventuras, em que a arqueologia aparece acompanhada de ruínas, documentos antigos e perigos escondidos, num período em que “Os Caçadores da Arca Perdida”, lançado em 1981, havia renovado o interesse por esse tipo de narrativa. Mas a primeira história de Mystère remete a um imaginário de conspirações que, anos depois, também ganharia popularidade no cinema com “MIB - Homens de Preto”, embora, nos quadrinhos de Castelli, esses agentes tenham uma missão bastante diferente: impedir que descobertas capazes de abalar a história oficial venham à tona.


Poster de MIB - Os Homens de Preto (1997).


 Ruínas & Mystérios


Martin Mystère é um respeitado arqueólogo e professor dedicado a investigar os mais variados mistérios, incluindo as interpretações oficiais da história. Essas versões são protegidas justamente pelos Homens de Negro, que desejam manter estes mistérios enterrados e garantir que as interpretações permaneçam as mesmas que já se conhece.




A aventura começa em Kalabaka, na Grécia, região dos célebres mosteiros suspensos de Meteora, onde o pesquisador Edouard Morel é perseguido por carregar um manuscrito e consegue enviá-lo a Martin antes de ser morto. Enquanto isso, na região dos Açores próximo a Portugal, o protagonista e seu companheiro Java exploram estruturas submersas que poderiam estar ligadas a Atlântida, até que um confronto com os Homens de Negro termina com a destruição das ruínas.






Em sua casa, em Nova York, Martin recebe a correspondência de Morel e parte para a Grécia em busca do amigo e das respostas sugeridas pelo manuscrito, que aponta para um esconderijo de conhecimentos preservados de antigas civilizações.




Aqui já temos a primeira grande sacada de Castelli. O manuscrito é escrito por Ibn Battuta, um viajante islâmico que percorreu o mundo de 1325 a 1354. Battuta era juiz e partindo do Marrocos, sua terra natal, chegou ao Mali, onde conheceu o imperador Mansa Muça, o homem mais rico já conhecido, Délhi, Jerusalém, Maldivas, além de alcançar a Tanzânia. Visitou a corte do imperador bizantino Andrónico III Paleólogo em Constantinopla além de visitar a corte do Imperador Huizong, na China. Castelli inclui aqui as viagens de um antigo explorador para dar rumo à aventura de Mystère.


Moeda das Maldivas em homenagem a Ibn Battuta.


A investigação o leva a um mosteiro suspenso em Meteora, onde Martin e Java invadem e encontram um mapa que os conduz a uma sala secreta sob o Templo de Luxor, no Egito. No caminho encontram Maria Fontaynos, que afirma querer descobrir o que aconteceu com Morel.




Templos suspensos de Meteora.

Em Luxor, Castelli constrói um quebra-cabeça onde a solução depende da observação e do raciocínio do arqueólogo, enquanto Alessandrini nos descreve como funcionam os mecanismos escondidos no templo de forma muito criativa. A aproximação da sala secreta, porém, traz um novo encontro com os Homens de Negro e prepara um desfecho que estabelece o tom da série, em que solucionar uma aventura nem sempre significa reunir as provas necessárias para encerrar o mistério.





Além de apresentar o protagonista e seus métodos, “Os Homens de Negro” deixa pistas para acontecimentos futuros, menciona Sergej Orloff, um de seus grandes adversários pessoais, e também uma introdução a um arco narrativo que atravessaria anos da série ligado ao maior de todos os mistérios: a cidade perdida de Atlântida.

O desenho de Alessandrini, que trabalhou em Ken Parker sob a orientação de Ivo Milazzo, combina clareza e atenção aos detalhes, distribuindo informações pelos cenários sem comprometer a leitura. O artista ajuda a tornar convincentes os lugares e as situações de uma aventura que transita constantemente entre referências reais e invenção.





Martin também se diferencia de outros heróis Bonelli por falar bastante. Uma das características do próprio Castelli inserida em seu personagem. Mas faz total sentido, pois suas explicações fazem parte da personalidade de um estudioso que gosta de compartilhar o que sabe, oferecendo ao leitor referências históricas, lendas e especulações fantásticas em meio à ação. Quando essa combinação funciona, a quantidade de texto amplia o interesse pela aventura, porque a descoberta não fica restrita aos personagens e passa a fazer parte da experiência de quem lê.


Nova York, local de onde mora Martin Mystère.


Os Homens de Negro 


O título original da primeira edição de Martin Mystère é "Gli Uomini in Nero", e traduzindo ao pé da letra seria mesmo: Os Homens de Preto. Porém no Brasil, na edição publicada pela Record em 1990 ou pela RGE em 1986, sempre foi traduzido como Os Homens de Negro. Hoje é até algo plausível para ajudar a diferenciar da franquia da polícia extraterrestre.

Antes dos ternos impecáveis e dos óculos escuros de Will Smith e Tommy Lee Jones, os Homens de Preto já circulavam no imaginário ufológico americano como figuras ameaçadoras, que supostamente intimidavam testemunhas de avistamentos de OVNIs para mantê-las em silêncio. Embora existam relatos anteriores, a lenda ganhou força em 1953, quando o pesquisador Albert K. Bender afirmou ter recebido a visita de três homens vestidos de preto que o advertiram a abandonar suas investigações, episódio popularizado por Gray Barker no livro "They Knew Too Much About Flying Saucers”, de 1956.




Nas décadas seguintes, esses visitantes misteriosos passaram a integrar histórias de conspiração e obras de ficção, até que Lowell Cunningham e Sandy Carruthers levaram o conceito aos quadrinhos em “The Men in Black”, lançado em 1990. Essa série serviu de base para “MIB - Homens de Preto”, que chegou aos cinemas em 1997 sob a direção de Barry Sonnenfeld, transformando o clima ameaçador da lenda em uma mistura de comédia e ficção científica, na qual agentes de uma organização secreta monitoram a presença de extraterrestres na Terra.


Quadrinho que deu origem à franquia MIB - Os Homens de Preto.

 

A incrível Luxor


Cenário da parte final da aventura de Mystère, a cidade egípcia de Luxor cresceu a partir das ruínas de Tebas, antiga capital do Império Novo do Egito (1550-1069 a.C.) e situa-se a 670 km ao sul do Cairo. O Templo de Luxor preserva parte da grandiosidade e da vida religiosa do Egito dos faraós. Construído principalmente durante o reinado de Amenófis III e ampliado por Ramsés II, o complexo reúne colunas monumentais, pátios e estátuas que mostram como arquitetura, religião e poder caminhavam juntos naquela civilização. Um prato cheio para Castelli criar lendas e mistérios neste local, ou embaixo dele.



Templo de Luxor e a estrada com as esfínges mencionadas por Mystère.



Os caminhos até o Bom e Velho Tio Marty

 

Infelizmente Castelli nos deixou em fevereiro de 2024, aos 76 anos, mas seu legado, principalmente com Martin Mystère é imensurável. Segundo o autor, uma das origens do personagem remonta de 1975, quando preparou uma aventura de Allan Quatermain, explorador criado pelo escritor H. Rider Haggard para a revista SuperGulp!. Esta versão seria de um descendente de Quatermain, e já traria a companhia de Java. Os desenhos eram de Fabrizio Busticchi.


O Allan Quatermain de Castelli foi feito com as feições de James Coburn. Estas histórias já foram republicadas na série regular de Martin Mystère.


Entre as influências para Mystère estavam os aventureiros de ficção científica do século XIX como Flash Gordon e Brick Bradford, além do interesse despertado por livros de Peter Kolosimo e Erich von Daniken. Estes autores popularizaram especulações sobre visitas extraterrestres à Terra no passado. Foi aí que Castelli chegou à versão de Doc Robinson.


História extra disponível no encadernado da Editora 85.


Doc chegou a ser usado durante a produção das primeiras histórias, como a publicada no encadernado da 85, mas o aparecimento de uma revista em quadrinhos chamada Robinson motivou a mudança para evitar confusão. Então surgiu Martin Mystère, um dos nomes que Castelli já havia pensado antes.

O nome é inspirado no detetive Jacques Mystère, da obra I Misteri di Mystère (Os Mistérios de Mystère) de Francesco Argento, pseudônimo na época de Tiziano Sclavi, criador de Dylan Dog. Sclavi usava este pseudônimo em homenagem aos seus autores preferidos Francesco Guccini e Dario Argento. Como revelado em “Os Homens de Negro”, o nome completo do protagonista é Martin Jacques Mystère.






Castelli chegou a dizer que antes de se tornar o arqueólogo conhecido por suas longas explicações e pela paixão por enigmas, Mystère foi pensado como um aventureiro de ação. Tinha uma Ferrari Mondial, uma arma de raios e um carisma sedutor a la James Bond. Mas o autor revela que não gostava nada dessa versão.

Com o tempo a personalidade do aventureiro sempre pronto para briga foi dando espaço a um homem curioso, caseiro, falante e sujeito a atrasos no trabalho, se mesclando assim à personalidade e características de seu criador. A Ferrari ficou, mas a arma de raios foi sendo usada cada vez menos.


Ferrari Mondial 1980, mesmo modelo usado por Martin Mystère.

A identificação chegou até ao aniversário, já que Martin compartilha com Castelli o dia e o mês de nascimento (26 de junho de 1942), embora tenha sido concebido como cinco anos mais velho. Na retrospectiva dos trinta anos da série, Castelli brincou com a consequência dessa escolha, pois um protagonista que começara na faixa dos quarenta teria chegado aos setenta se envelhecesse rigorosamente com o calendário, criando um problema que ele não previu quando duvidava da longevidade da publicação.




Na parte visual, Giancarlo Alessandrini conta que recebeu um telefonema de Castelli solicitando esboços do protagonista e dos coadjuvantes. “Segui as orientações de Castelli: Faça um sujeito loiro, bonito, com aparência de americano e físico atlético”, sem me pedir que buscasse inspiração em alguém específico. O mesmo aconteceu com os outros personagens da série: Java, Orloff e Diana”.


Estudo de personagem de Martin Mystère.


Sergio Bonelli também participou da construção do personagem. O editor brincava ter sido um pouco “enganado” por Castelli: esperava um herói de ação, mas recebeu uma série que se encaminhou cada vez mais para a investigação e a divulgação cultural. Castelli conta que tentou inicialmente se adaptar ao modelo de aventura da editora. Com o tempo, porém, Martin passou a usar mais o computador, falar mais e agir menos como um herói infalível.


Sergio Bonelli e Alfredo Castelli em 2003.

Uma manhã de bloqueio criativo ajudou o autor a perceber esse caminho. Sem vontade de escrever e sem ideias para continuar, Castelli pensou que aquela própria situação poderia abrir uma história. A experiência cotidiana do roteirista tornava-se, assim, material para humanizar o protagonista e criar humor em meio às aventuras extraordinárias.


 

Java o Neandertal

 

Java ocupa um lugar central nessa combinação de aventura e humor, porque sua força física e seus sentidos aguçados oferecem um contraponto ao comportamento mais cerebral de Martin. Musculoso, irônico e dono de uma inteligência diferente do homem contemporâneo, o neandertal se comunica por gestos e resmungos, que podem virar rugidos quando está furioso, enquanto suas expressões faciais comentam as situações de maneira frequentemente divertida.




Na história do personagem, Java deixa a Cidade das Sombras Diáfanas, escondida entre as montanhas Hangai, na Mongólia, para acompanhar Martin à civilização moderna e enfrentar um inimigo diabólico, tornando-se posteriormente cidadão americano após uma adaptação marcada por dificuldades.

O nome, Castelli conta que foi em homenagem ao Homem de Java, fóssil encontrado na ilha de Java, na Indonésia entre 1981 e 1892. Encontrado por Eugène Dubois, que alegava que o fóssil fosse o “elo perdido” entre macacos e seres humanos, a espécie foi nomeada anos depois como Pithecanthropus erectus e era de um Homo Erectus, não um Neandertal como o Java da HQ.


Reconstrução digital do Homem de Java (Homo Erectus).

A origem de Java já foi publicada no Brasil em Tex e Os Aventureiros #5 (Editora Mythos).

Diana Lombard, de Minnie à esposa de Mystère

 

A personagem de Diana Lombard evoluiu muito ao longo das histórias, deixando de ser apenas a namorada que espera pelo retorno do aventureiro para se tornar uma presença mais ativa em seu mundo. Assistente e antiga secretária de Martin, ela reúne cultura, senso de humor e uma admirável capacidade de lidar com as manias do companheiro, mantendo os pés no chão mesmo quando ele está envolvido nos enigmas mais improváveis.


Topin Mystère em Topolino #3250.


Inicialmente, Castelli pensou em Diana com traços de uma namorada ciumenta e implicante, numa aproximação irônica com Minnie, dos quadrinhos do Mickey. Que por coincidência anos depois ganhou uma interpretação pela própria Minnie na revista italiana Topolino #3250-51, na história Topin Mistery, acompanhada de Mickey como Martin e Pateta como Java. A história feita por Casty teve o intuito de homenagear Alfredo Castelli.


Anna Giusto, esposa de Castelli, da qual inspirou ao longo dos anos a personalidade de Diana. Foto: la Repubblica.


A personalidade de Diana com o tempo foi se tornando mais madura e ligada à influência de Anna, esposa de Castelli. Alessandrini fez Diana afastando-a do estereótipo das mulheres dos quadrinhos de aventura. Preferiu dar a ela a aparência de uma mulher elegante, moderna e realista, com um visual simples e seus característicos cabelos loiros presos, que refletem sua racionalidade e sua seriedade.

Depois de um namoro muito longo, Diana e Martin se casaram em segredo em 16 de dezembro de 1995, anunciando a união “à cidade e ao mundo” sete anos depois, como os leitores descobriram na edição nº 241, “Vinte anos de Mystérios”.





 

Quando a ficção toca a campainha


A relação de Martin com a realidade chegou a provocar situações curiosas fora das páginas, como as visitas de leitores à sua residência em Manhattan, na 3/A da rua privativa Washington Mews, em Nova York, onde alguns fotografavam a casa e outros tocavam a campainha. Castelli precisou escrever ao morador, um professor da Universidade de Nova York, para explicar por que aquele endereço havia se transformado em destino de fãs e pedir desculpas pelo transtorno.





Durante um período em que o personagem foi levado para a Itália, Florença forneceu um endereço na Via dell’Anguillara, onde silhuetas dos personagens foram colocadas na janela, prolongando a brincadeira entre a cidade real e o universo dos quadrinhos. Esse vínculo também exigia atenção aos acontecimentos do mundo, como ocorreu após os atentados às Torres Gêmeas, quando as duas páginas finais da edição #235, “Minaccia dal passato” (Ameaça do passado), de outubro de 2001, foram alteradas para mostrar Martin retornando a Nova York e encontrando os edifícios destruídos.


Via dell’Anguillara em Florença.


Página de Martin Mystère #134 - Welcome to Italy, quando Martin e Java foram morar na casa 2 da Via dell’Anguillara.



O atentado às Torres Gêmeas foi abordado em Martin Mystère #235.


A preocupação com a realidade orientava igualmente a preparação dos desenhos, pois Castelli fornecia documentação para que cidades, monumentos e cenários históricos fossem representados de acordo com a época de cada aventura. Antes da internet, reunir essas referências dava muito mais trabalho, mas a facilidade posterior de acessar imagens não eliminou o cuidado com a precisão.

Alessandrini também foi ajustando seu traço ao longo do tempo, reduzindo hachuras e áreas negras em favor de uma linha mais limpa, influenciada por outras experiências profissionais. Até o rosto de Martin passou por mudanças, depois que a redação da Bonelli observou que seu queixo estava ficando grande demais e aproximando o personagem de uma caricatura.

 

O conhecimento como parte da aventura




O computador ajuda a mostrar como Martin acompanha o presente, utilizando no cotidiano uma ferramenta que ainda parecia distante para muitos leitores no início dos anos 1980. Os primeiros aparelhos desenhados eram genéricos e variavam conforme o artista, até que Castelli comprou um Macintosh, em 1984, e decidiu dar o mesmo modelo ao protagonista, porque conhecia seu funcionamento e poderia orientar melhor sua representação.




Essa familiaridade com a tecnologia convivia com o interesse por civilizações desaparecidas, fantasmas e OVNIs, sempre acompanhado de uma postura investigativa, já que Martin procura examinar o extraordinário sem abandonar a pesquisa e o questionamento. Para Castelli, a mistura entre informação e fantasia também exigia explicar ao leitor onde terminavam as referências reais e começava a invenção, função assumida pelos textos complementares que acompanham as aventuras.




O autor se orgulhava dessa proposta porque ela também enfrentava o preconceito de que, quem lê quadrinhos não se interessa por outras formas de leitura, enquanto o público de Martin demonstrava justamente o contrário, cobrando histórias capazes de surpreender por suas conexões e pelo repertório apresentado.




É esse encontro entre conhecimento, aventura e imaginação que a edição da Editora 85 se destaca. Sua organização permite acompanhar o nascimento do personagem e perceber como os primeiros mistérios começam a se conectar. Para quem gosta de aventuras que deixam perguntas depois da última página, o volume oferece um ponto de partida para conhecer o Bom e Velho Tio Marty, cuja curiosidade continua encontrando assunto em um mundo que ainda tem muito a explicar.


A 85 já lançou o segundo volume com mais 5 histórias, disponível na LOJA da Editora.


 







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