A Editora Panini anunciou para
novembro o lançamento de X-Men: O Mangá, obra que adapta a famosa série animada
dos anos 1990 com toda a ação e estilo dos quadrinhos japoneses. O título já
havia sido publicado de forma incompleta no Brasil em 1998, pela Editora
Mythos, em apenas duas edições.
Em 2024, a Viz Media remasterizou
o material em dois volumes com mais de 500 páginas. Formato este republicado
pela Panini Itália e que agora chega ao Brasil.
| Edição publicada pela VIZ Media. |
Lançada em 1992 nos EUA, a
animação X-Men: The Animated Series tornou-se um fenômeno global. No Brasil,
estreou em janeiro de 1994 na Rede Globo, dentro do programa TV Colosso. Com
arcos maduros, continuidade narrativa, abordagem sobre preconceito e segregação
social, boa animação e personagens cativantes, o desenho conquistou legiões de
fãs.
A animação também ganhou uma quadrinização direta nos EUA (X-Men Adventures, por Ralph Macchio e Andrew Wildman), lançada no Brasil em formatinho pela Editora Abril e que também será republicada pela Panini este ano.
Japan!
Apesar do estrondoso sucesso no
Ocidente, a recepção no Japão exigiu um esforço enorme de localização, ao ter
os direitos de reprodução adquiridos em 1994 pela TV Tokyo e pela editora
Shogakukan. Sabe, a abertura do desenho que todo mundo sabe cantarolar,
composta por Ron Wasserman? Nem ligaram.
Para competir com animes populares na época como Guerreiras Mágicas de Rayearth e Street Fighter II, foram criadas aberturas exclusivas com animação japonesa em alta velocidade e trilhas de rock pesado, como a música "Rising" e, posteriormente, "The Edge of Heaven", ambas da banda Ambience.
Apesar de as aberturas promoverem um visual de anime, a Animação americana exibida nos episódios gerava um choque visual no público, pouco habituado ao estilo dos comics. Mas os produtores não desistiam e era uma surra de X-Men.
Com o desenho, a Capcom
aproveitava os intervalos comerciais da TV Tokyo para exibir propagandas do
game X-Men: Children of the Atom (1994). O visual do game era liderado pelo
lendário artista Akira Yasuda (Akiman) e Kinu Nishimura, que se inspiravam nos
desenhos de Jim Lee.
Já deu pra perceber que os
japoneses estavam se esforçando muito para localizar a obra, mas ainda não era o suficiente. É aí que surge o mangá dos X-Men, publicado pela editora Takeshobo na
revista Comic Gamma de forma serializada entre 1994 e 1995 e posteriormente em
formato tankobon. Cada volume abrange
dois episódios da animação.
O mangá conseguiu cobrir as duas
primeiras temporadas, mas assim como o desenho, não teve o resultado esperado.
A animação por exemplo teve apenas 43 dos 76 episódios transmitidos.
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| Capa do primeiro volume tankobon do mangá X-Men. |
X-Men e mangá, combinação
perfeita
O primeiro arco do mangá conta
com arte de Hiroshi Higuchi e segue fielmente o enredo dos dois episódios de
estreia da animação, "A Noite das Sentinelas". O traço e a
linguagem do mangá oferecem um ritmo muito mais dinâmico e ágil à ação,
agregando mais expressividade e um toque de humor ausentes no desenho animado.
O grande destaque dessa abertura
é Jubileu, retratada em sua jornada de descoberta mutante e em seu primeiro
contato com outras pessoas que compartilham o mesmo dom.
A trama ganha força quando a
mutante escuta seus pais adotivos cogitarem levá-la ao Centro de Controle
Mutante. Assustada, a jovem foge para um fliperama de shopping no intuito de
esquecer os problemas, mas acaba caçada por um Sentinela enviado para
capturá-la. Por sorte, Gambit, Tempestade, Vampira e Ciclope estão no local. O
grupo enfrenta a máquina e resgata Jubileu, levando-a para a Escola Xavier para
Jovens Superdotados.
No Instituto, ela é apresentada a Fera, Morfo, Jean Grey, Wolverine e, finalmente, ao Professor Charles Xavier. A segunda parte do arco, desenhada por Koji Yasue, retrata a desastrosa invasão dos X-Men à Agência de Controle Mutante, missão que culmina na prisão de Fera e no trágico ataque a Morfo.
Vale destacar que, embora a
animação de TV dos anos 90 já tivesse exibido a suposta "morte" de
Morfo, o mangá explora a cena sem as amarras da censura americana, conferindo
um tom dramático e violento ao impacto do Sentinela.
Os elementos básicos da história
continuam fiéis ao material original: os X-Men derrotam a ameaça dos robôs
gigantes ao final e Jubileu, após se despedir dos pais adotivos, aceita o
convite para fazer da Mansão Xavier o seu novo lar.
Mas, diferente da animação
americana, o mangá inseriu elementos proibidos na TV, como palavrões, o charuto
de Wolverine e confrontos de forma muito mais violenta como a luta contra
Dentes-de-Sabre, com presença explícita de sangue.
A obra utiliza recursos clássicos
dos mangás, como expressões exageradas, linguagem chibi, olhões e um design de máquinas
impecável. Sentinelas e Cable ganham contornos impressionantes, enquanto o jato
Pássaro Negro recebe uma das suas retratações mais bonitas já feitas em
quadrinhos.
O ponto fraco da edição é a
constante rotatividade de mangakás, o que gera uma oscilação marcante no estilo
visual a cada capítulo. Embora a transição entre Hiroshi Higuchi e Koji Yasue
seja suave devido à similaridade de seus traços, a mudança se torna brusca
quando outros artistas assumem a obra. Na introdução de Magneto, por exemplo,
Reiji Hagihara adota um tom mais sério e dramático, enquanto Hirofumi Ichikawa
encerra o primeiro volume com outra abordagem estética.
Mas nada que o leitor não se
acostume, o mangá tem mais prós que contras. Vampira está perfeita com seu
estilo e protagonismo, Ciclope assume uma estética de super herói mais participativo que o normal. Magneto ganha uma presença imponente de um vilão
clássico de anime e Tempestade ostenta toda a sua grandiosidade em sequências
de luta marcantes.
O estilo de Wolverine combina
demais com o preto e branco do mangá, e sua abordagem ora humorística, ora mais
selvagem o destacam a todo momento. Para quem ama X-Men, mangás com carga
dramática social que aborda o preconceito, vai gostar bastante e os fãs
irão reviver a nostalgia da série animada em uma ótica mais estilizada.
A Marvel publicou o mangá nos EUA
muito tarde, quando a X-Men mania já estava saturada. Preto e branco e um dólar
mais cara, a obra não agradou muito aos fãs dos mutantes. Durante anos essa
versão americana ficou difícil e cara de ser encontrada, até a Viz remasterizar
e publicar a obra.
A editora não só revitalizou os
desenhos com qualidade, mas deu uma roupagem muito característica dos X-Men. As
cores, os elementos que formam as páginas editoriais, um índice decente e fichas
de personagens.
Até o momento a editora publicou
dois volumes, que tem pouco mais da metade dos capítulos lançados da série
original. Será preciso mais dois volumes para tudo que saiu no Japão ser
publicado, mas a Viz ainda não os anunciou.
| Capa da 2ª edição da VIZ Media. |
Espera-se que saia nessa
remasterização também o mangá que adapta o jogo da Capcom X-Men: Children of
the Atom, feita por Miyako Kojima. A edição foi publicada apenas no Japão nas
páginas da revista Comic Gamma.


































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