Está em pré venda pela Editora
Mythos, Dylan Dog: Ecos do Pesadelo. Uma edição que celebra os 40 anos do
Investigador do Pesadelo com 24 histórias curtas escritas pelo seu criador,
Tiziano Sclavi. Em 432 páginas, em formato semelhante ao Dylan Dog Omnibus,
a publicação chama a atenção pela habilidade de Sclavi em contar histórias de
horror em poucos quadros.
A capa é de Gigi Cavenago, que
traz Dylan cercado por livros e objetos que lembram grandes histórias. A Mythos
já chegou a publicar histórias curtas de Dylan Dog em Almanaque do Pesadelo,
porém das oito histórias da edição, nenhuma era de Sclavi.
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| Capa brasileira disponível no site. |
Ecos do Pesadelo foi lançado originalmente pela Sergio Bonelli Editore em outubro de 2025 na Lucca Comics & Games e chega em tempo recorde ao Brasil. A edição traz muitas histórias ainda inéditas para os leitores brasileiros, publicadas em diversas publicações lançadas na Itália, hoje difíceis de encontrar.
A HQ abre com uma introdução ao material por Franco Busatta, coordenador editorial de Dylan Dog e apresenta aos leitores a importância que as histórias curtas tiveram dentro da trajetória criativa de Sclavi.
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| Edição italiana usada nesta matéria. |
Também há espaço para biografias dos vários artistas envolvidos como Giampiero Casertano, Franco Saudelli, Bruno Brindisi, Corrado Roi, Angelo Stano, Claudio Villa e Carlo Ambrosini, entre outros que ajudaram a construir o imaginário visual da série.
Cada história vem acompanhada de
informações editoriais como créditos completos e a data de sua
publicação original. Esse cuidado transforma a leitura em uma pequena viagem
pela história editorial do personagem, permitindo acompanhar diferentes
momentos da carreira de Sclavi e da própria evolução de Dylan Dog.
Doses de horror
Embora seja lembrado
principalmente por grandes clássicos da série regular, o Sclavi também tem uma produção impressionante em histórias breves, nas quais consegue condensar
humor, horror, melancolia e crítica social em poucas páginas.
Ecos do Pesadelo reúne histórias como
“O Horror”, “A adega”, A Menina”, “Margherite”, “Estrela Cadente” e “A Coisa”,
além de outras narrativas originalmente publicadas em especiais, revistas e
coletâneas diversas. Mas raramente
estiveram reunidas em um único volume.
40 anos de horror Sclaviano
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| Logo comemorativa da Sergio Bonelli Editore para os 40 anos de Dylan Dog. |
Em setembro de 2026, Dylan Dog
completará 40 anos de vida editorial, um feito que reforça a importância do
personagem dentro dos quadrinhos italianos e mundiais. Nesse contexto, Ecos do
Pesadelo funciona quase como uma celebração da escrita de Sclavi, reunindo
histórias que evidenciam sua capacidade de transitar entre o terror, o
surrealismo, a sátira e a reflexão existencial.
A publicação surge em um momento
simbólico para os fãs do personagem pois Tiziano Sclavi segue afastado da
produção regular de roteiros há bastante tempo e sua ausência continua sendo
sentida em Dylan Dog. Sua última contribuição foi a coletânea I Racconti di
Domani (também de histórias curtas), que se encerrou em 2022. Sclavi não é apenas o criador da série Dylan Dog, mas
também a principal referência criativa de um universo que se aproxima de uma
marca histórica.
"Ecos do Pesadelo" oferece ao leitor uma biografia do autor, relembrando sua trajetória desde o nascimento em Broni, na província de Pavia, em 1953, até sua consolidação como um dos escritores mais influentes da história dos quadrinhos italianos.
"Ecos" se apresenta
como uma das edições mais relevantes dedicadas ao personagem nos últimos anos.
Apesar da Mythos não trazer detalhes singulares da edição original, como as
laterais das páginas que mudam de forma, o que encareceria muito a edição, Ecos é
mais do que uma simples coletânea de republicações. A HQ funciona como um
panorama da arte de Tiziano Sclavi, reafirmando por que suas histórias
continuam sendo referência para gerações de leitores e autores de quadrinhos.
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| Este detalhe não virá na edição brasileira. |
Segue sinopses e curiosidades das
24 histórias com títulos livremente traduzidos não refletindo o que a edição da
Editora Mythos trará.
O Horror (L’Horrore)
Desenhos de Giampiero Casertano.
História publicada originalmente
na revista “Per Lui” n. 74, setembro de 1989. Já foi publicada no Brasil em Tex
e Os Aventureiros n.1 (Mythos Editora), em 2005.
Dylan Dog tentará responder a uma
repórter sobre, o que é o Horror? Em vez de falar de um monstro específico, de
um fantasma ou de um assassino, Sclavi aborda o conceito do horror em si. A
história funciona quase como uma reflexão metalinguística sobre o gênero que
tornou Dylan Dog famoso.
O horror não surge
necessariamente de criaturas sobrenaturais, mas da forma como os seres humanos
percebem a realidade. Sclavi explora a noção de que aquilo que assusta uma
pessoa pode ser completamente banal para outra, transformando o medo em algo
subjetivo e mutável.
Em vez de simplesmente provocar
medo, Sclavi convida o leitor a refletir sobre por que sentimos medo e sobre o
fascínio que o horror exerce sobre nós. Outro aspecto marcante dessa história é
o humor, onde Sclavi utiliza ironia e absurdo para desmontar expectativas.
A Adega (La Cantina)
Desenhos de Corrado Roi
Publicado originalmente em
“Almanacco dela Paura” n.1, em março de 1991. Recentemente publicado no Brasil
pela Editora Lorentz em Almanaque do Medo vol. 1 (2025), com o título: O Porão.
O jovem Jonas é fã de literatura de horror-fantástico e muito
fã do escritor P.H. Ftarcevol. Influenciado por esse tipo de literatura, Jonas
fica obcecado por uma adega sombria em sua casa e por misteriosas batidas sob um
velho alçapão… Que segredos obscuros se escondem do lado de lá dessa porta?
A Menina (La bambina)
Desenhos de Angelo Stano.
História publicada originalmente
em “L’indagatore dell’incubo”, da editora Mondadori em 1991. Publicado no
Brasil em Tex e Os Aventureiros n.2 (Mythos), em 2005 com o título: A Menina e
a Boneca.
É uma das histórias curtas mais
elogiadas, profundamente humana e dolorosa. À primeira vista, a
trama parece seguir um caminho clássico do terror gótico. Dylan recebe o chamado
de uma menina que está sozinha em uma enorme casa e não consegue sair dali. O
cenário remete imediatamente às tradicionais histórias de casas assombradas e
crianças fantasmagóricas.
Conforme a narrativa avança, o
verdadeiro horror não se revela como algo sobrenatural, mas algo muito mais
real: a violência doméstica sofrida por uma criança indefesa. Sclavi utiliza os
elementos típicos do gênero de terror para conduzir o leitor a uma reflexão
sobre um problema humano real e devastador.
Angelo Stano reforça esse sentimento com
páginas que alternam delicadeza e inquietação, criando uma sensação constante
de tristeza e impotência. O desfecho não busca tranquilizar o leitor, mas
lembrá-lo de que a violência contra crianças é uma realidade muitas vezes invisível.
Desenhos de Corrado Roi.
História publicada originalmente
a cores em um encarte chamado “Sorrisi e Canzoni” n.35 em agosto de 1992. Já
publicada no Brasil em Tex e Os Aventureiros n.4 (2005).
Apesar do envolvimento do
Investigador, o protagonista da história não é Dylan Dog, mas uma misteriosa
entidade chamada simplesmente "A Coisa". A narrativa é contada do
ponto de vista dessa entidade que se faz perguntas universais: De onde venho?
Para onde vou? Quem sou eu?
A grande sacada de Sclavi é que a
identidade da "Coisa" vai sendo revelada aos poucos. O leitor
inicialmente imagina estar diante de uma criatura extraterrestre ou
sobrenatural, mas a história conduz a uma conclusão surpreendente e poética.
O Retorno dos matadores (Il ritorno
degli uccisori)
Desenhos de Montanari &
Grassani.
História publicada originalmente
no livreto do jogo de videogame de Dylan Dog, Gli uccisori. Lançado pela
Simulmondo em 1992 para o console Amiga, Commodore 63 e MS-DOS. Já foi
publicada no Brasil em Tex e Os Aventureiros n.3 (2005).
Continuação da clássica história “Os
Matadores” (Dylan Dog n.5 contida em Dylan Dog Omnibus n.1, Mythos Editora). Dylan volta a enfrentar pessoas comuns
transformadas em assassinos irracionais por uma misteriosa influência.
A Pequena Biblioteca de Babel (La
piccola biblioteca di Babele)
Desenhos de Angelo Stano.
História publicada originalmente colorida
na edição “Gli orrori di Altroquando”, pela Mondadori em 1992.
O ponto de partida é uma
homenagem explícita ao conto A Biblioteca de Babel, de Jorge Luis Borges. Sclavi
parte da famosa ideia borgiana de uma biblioteca infinita que contém todo o
conhecimento possível, mas a transforma em uma história de horror metafísico.
Na trama, Dylan está de férias
com sua namorada em uma pequena cidade da Cornualha chamada Badmin. O lugar
parece estranhamente vazio e suspenso no tempo. Aos poucos, começam a ocorrer
desaparecimentos inexplicáveis: pessoas simplesmente deixam de existir. O mais
assustador é que não apenas desaparecem fisicamente, mas também são apagadas da
memória de todos ao seu redor, como se nunca tivessem vivido.
Enquanto Dylan tenta compreender
o mistério, a narrativa revela a existência de uma das filiais da lendária
Biblioteca de Babel. Nela, um escriba tem a tarefa impossível de registrar cada
instante da existência de cada ser vivo: cada respiração, cada gesto, cada
pensamento. Milhões de volumes guardam a história completa da humanidade, e
essa biblioteca é apenas uma pequena sucursal de uma estrutura cósmica
espalhada pelo universo.
O que torna a história especial é
que Dylan praticamente não consegue resolver o caso. Diferentemente da maioria
das aventuras do personagem, ele se depara com forças tão vastas e abstratas
que estão além da compreensão humana. O horror não vem de monstros ou
assassinos, mas da possibilidade de que a própria existência seja apenas uma
linha de texto em um livro cósmico.
A Pequena Biblioteca de Babel é
uma das aproximações mais diretas entre Dylan Dog e o universo literário de
Borges, mostrando como Sclavi consegue transformar conceitos intelectuais
complexos em quadrinhos acessíveis, poéticos e perturbadores.
Crimes de Amor (Delitti d’amore)
Desenhos de Bruno Brindisi.
História publicada originalmente
em Dylan Dog Gigante n.1, em 1993 e no Brasil em Dylan Dog Gigante n.1, pela
Editora Lorentz em 2025.
O assassino e o detetive, duas
figuras que se perseguem, se encontram e se confundem. Dylan investiga um
assassino e por sua causa ele consegue escapar. Agora o assassino está ali,
indefeso diante do cano de sua arma... Conseguirá Dylan não apertar o gatilho?
Espectros (Spettri)
Desenhos de Giovani Freghieri.
Originalmente publicada em um
suplemento junto à revista “Max” n.2, em fevereiro de 1993.
Ryan Reed é um fotógrafo
talentoso, talvez o melhor. Ninguém consegue capturar a ilusão da morte tão bem
quanto ele, as formas de terror imortalizadas em filme. E é nessa ilusão que
Reed vive, no espaço espectral que separa uma ficção perfeita da realidade, um
ser humano de um simulacro, a vida verdadeira... de sua imagem plana!
O Retorno do Vampiro (Il ritorno del vampiro)
Desenhos de Corrado Roi.
Originalmente publicada em
“Almanacco dela Paura”. n. 3, em março de 1993.
Dylan Dog cravou uma estaca em
seu coração, mas ele encontrou uma maneira de ressurgir mais uma vez.
Alimentado pelo sangue e pelo doce sabor da vingança, o monstro está voltando
para acertar as contas, para devorar a vida do Investigador do Pesadelo!
Estrela Cadente (Stelle cadenti)
Desenhos de Giovanni Freghieri.
Publicada originalmente em
“Orrore nero”, pela Mondadori na coleção “Dylan Dog Libri”, em setembro de
1993.
"A morte e a vida são a
mesma coisa?"
A partir dessa pergunta, Sclavi
coloca Dylan e Francesco Dellamorte (personagem de seu romance Dellamorte
Dellamore) diante de uma espécie de lição existencial. Em vez de desenvolver um
mistério policial ou um horror convencional, a narrativa explora conceitos
metafísicos e o contraste entre as visões de mundo dos dois personagens. Dylan
representa a humanidade que ainda busca sentido e esperança e Dellamorte, por
sua vez, encarna uma relação muito mais íntima e desencantada com a morte.
Margarida (Margherite)
Com desenhos de Carlo Ambrosini,
esta história tem uma particularidade interessante: embora a edição credite
Tiziano Sclavi como argumentista, a ideia original partiu do próprio Ambrosini.
Trata-se, inclusive, do primeiro argumento escrito por ele em toda a sua
carreira.
Existe um lugar que todos ocupamos no espaço e no tempo, uma identidade única que define quem somos. Mas é tão fácil perdê-la. Em um único rosto, mil rostos. Em um único amor, mil amores. Quem é Margherite? Um sonho que vive no coração de Dylan, a sombra de uma possibilidade impossível...
Considerada por muitos leitores
uma das mais belas histórias curtas de Dylan Dog,
Margherite gira em torno de um dos temas mais caros à obra de Sclavi: a
dificuldade humana de aceitar a morte, a ausência e as oportunidades perdidas.
A narrativa se desenvolve como uma delicada fábula melancólica, em que realidade,
memória e sonho se confundem de maneira quase imperceptível.
O roteiro adota um tom poético e contemplativo, explorando sentimentos de saudade e arrependimento sem recorrer aos elementos tradicionais do horror. Nesse aspecto, a história dialoga diretamente com O Longo Adeus, outro clássico marcado pela sensibilidade emocional de Sclavi e pelos desenhos de Ambrosini. O resultado é uma narrativa breve, mas profundamente tocante, que demonstra como Dylan Dog pode emocionar tanto quanto assustar.
Táxi! (Taxi!)
Desenho de Bruno Brindisi.
Publicado originalmente em “Dylan
Dog Gigante n. 2, janeiro de 1994.
A premissa é extremamente
cotidiana: um táxi, um passageiro e uma corrida pelas ruas de Londres. Porém,
como acontece com frequência nas melhores histórias de Dylan Dog, um elemento
banal se transforma em algo perturbador. O percurso deixa de ser algo simples
para se tornar algo... diferente.
O conto trabalha com um dos temas
favoritos de Sclavi: a perda de controle sobre a própria realidade. Dylan
acredita compreender o que está acontecendo, mas pouco a pouco percebe que as
regras normais do mundo deixaram de valer. A atmosfera lembra episódios
clássicos de séries como Além da Imaginação (The Twilight Zone), em que uma
situação aparentemente comum revela algo fora da realidade.
Também é uma história marcada
pelo humor absurdo. O diálogo entre Dylan e o motorista mistura ironia e
estranheza, criando uma sensação simultaneamente divertida e desconfortável.
Gnut
Desenhos de Bruno Brindisi.
Publicada originalmente a cores
em “Diario Scolastico 1993/1994”, da Mondadori.
Dylan cruza o caminho de Gnut, uma
criatura estranha e aparentemente monstruosa. No entanto, à medida que a
história avança, percebe-se que o verdadeiro tema não é o medo do diferente,
mas justamente a dificuldade das pessoas em compreender aquilo que não se
encaixa nos padrões habituais.
Esse tipo de inversão, em que os
monstros revelam mais humanidade que os seres humanos é uma marca recorrente da
fase clássica de Dylan Dog, por isso esta história curta é diversas vezes
associada ao clássico “Johnny Freak”.
Ela Estava Morta (Era morta)
Desenhos de Angelo Stano.
Publicada originalmente em "Dylan
Dog Gigante" n.4, em dezembro de 1995.
Arlene morreu e o detetive particular Channing (que Stano
faz inspirado em Humphrey Bogart) é contratado para encontrar a moça. Mas, o espírito dela volta para casa e
continua vivendo como se nada tivesse acontecido. A história é narrada por
Channing como um romance noir, e Dylan é apenas um coadjuvante, também
envolvido na trama. Dylan e Channing se conheceram em uma clínica de
reabilitação para o alcoolismo.
Sclavi nos traz uma história com muitas camadas. E a própria
narrativa, além dos elementos sobrenaturais, distorce também as histórias de
detetive, especialmente porque Channing nos conta a história a partir do
momento em que a busca por Arlene termina.
Entre as camadas que Sclavi coloca na história estão também
crimes menores, não tão evidentes, cometidos por amor. O amor excessivo da mãe
de Arlene, por exemplo, é prejudicial para a filha, e o amor de Arlene por
outros, desafiando a mãe, também causa dor.
Sucata (Lamiere)
Desenhos de Bruno Brindisi.
Publicada originalmente na
revista “Auto Oggi” n. 21 e 22 em junho de 1996.
Em um cenário de sucata, ferrugem
e carros abandonadas, algo parece ganhar vida entre os destroços.
Epílogo (Epilogo)
Desenhos de Corrado Roi.
História publicada originalmente
em “Sette anime dannate”, publicado pela Mondadori na coleção “Dylan Dog
Libri”, de outubro de 1996.
É uma das histórias curtas mais
enigmáticas e metalinguísticas escritas por Tiziano Sclavi para Dylan Dog. Como
o próprio título sugere, ela funciona como uma reflexão sobre finais,
encerramentos e sobre a própria natureza das histórias. Em vez de apresentar
uma investigação sobrenatural tradicional, a narrativa questiona a relação
entre personagens, autores e leitores, explorando os limites entre ficção e
realidade.
Um dos temas centrais da história
é a ideia de que todo personagem existe apenas enquanto alguém o imagina ou o
conta. Sclavi frequentemente brinca com esse conceito em Dylan Dog, mas em “Epilogo”
ele o leva ao extremo, criando uma atmosfera de despedida que parece se dirigir
não apenas aos protagonistas da trama, mas também ao próprio leitor.
Um Pesadelo no Sótão (Un incubo
in soffitta)
Desenhos de Franco Saudelli.
Publicado em "Dylan Dog Gigante" n.5, novembro de 1996.
Protagonizado por uma criança que
pede ajuda à Dylan Dog para investigar um sótão aparentemente comum, mas que
esconde lembranças e terrores que se materializam como um verdadeiro pesadelo.
OVNI (UFO)
Desenhos de Giampiero Casertano.
História originalmente realizada
para o programa de televisão Mixer, apresentado por Giovanni Minoli. O programa
era transmitido na Rai Due, segundo canal da televisão pública italiana RAI,
hoje Rai 2. A história foi feita para o quadro "I veri X-Files" (O
verdadeiro Arquivo-X), que falava sobre reportagens ou especiais dedicados a
fenômenos misteriosos, paranormalidade, ufologia, conspirações e casos sem
explicação. Era uma referência ao enorme sucesso da série de TV Arquivo X, mas
não fazia parte da franquia oficial. O programa apresentava supostos
"casos reais" que lembravam os mistérios investigados por Fox Mulder
e Dana Scully.
Dylan investiga um caso de
possível contato extraterrestre, onde a verdade pode ser ainda mais estranha do
que as teorias sobre discos voadores. Como ocorre em muitas histórias de
Sclavi, o foco não está na investigação de um fenômeno extraterrestre
propriamente dito. O autor utiliza a figura do OVNI como metáfora para algo
mais profundo: a incapacidade humana de compreender o desconhecido. O leitor
nunca recebe todas as respostas, e a narrativa permanece suspensa entre a explicação
racional e a hipótese fantástica.
Essa abordagem antecipa temas que
Sclavi desenvolveria posteriormente na chamada "trilogia ufológica"
de Dylan Dog, formada pelas histórias: Terror do Infinito (Dylan Dog nº 15 da
Mythos, 2004), Quando Caem as Estrelas (Dylan Dog nº 23 da Mythos, 2004) e Quando alguém chama do espaço (Dylan Dog 2ª Série, nº 7, Mythos 2019).
Esta é a história mais curta de
Ecos do Pesadelo, com apenas duas páginas.
O Sonho de Orfeu (Il sogno di
Orfeo)
Desenhos de Giovanni Freghieri.
Publicada originalmente no volume
“Sogni” da Mondadori, na coleção “Dylan Dog Libri”, em setembro de 1997.
Inspirada no mito de Orfeu, a
história mistura sonho, amor e morte em uma jornada simbólica pelo
inconsciente.
O Mistério da Ilha de D'Yd (Il mistero dell’isola di D’Yd)
Desenhos de Enea Riboldi.
Publicado originalmente em Dylan
Dog Gigante n.6, em dezembro de 1997.
O conto é bastante diferente do
padrão habitual da série. Em vez de uma investigação sobrenatural clássica,
Sclavi constrói uma narrativa inspirada na lógica dos videogames de aventura,
com enigmas e quebra-cabeças. A própria apresentação da história sugere isso ao
desafiar Dylan a combinar números e letras, resolver desafios e interpretar
pistas para conseguir escapar da misteriosa ilha de D’Yd antes que aconteça um
inevitável "Game Over".
Figurantes (Comparse)
Desenhos de Corrado Roi.
Publicado originalmente na edição
“Labirinti di paura”, pela Mondadori na coleção Dylan Dog Libri, de outubro de
1998.
Pessoas comuns descobrem que
podem ser apenas personagens secundários em uma realidade muito maior e mais
inquietante.
O Pesadelo do Investigador
(L’incubo dell’Indagatore)
Desenhos de Claudio Villa.
Publicada originalmente em “Dylan
Dog Gigante n.7”, em novembro de 1998.
Desta vez, o pesadelo não é um
cliente nem uma criatura sobrenatural, mas o próprio Investigador do Pesadelo.
A história funciona como uma espécie de reflexão sobre a condição de Dylan Dog,
um personagem que passa a vida mergulhado nos medos alheios e que,
inevitavelmente, acaba sendo consumido pelos seus próprios fantasmas.
Um aspecto interessante é que a
história dialoga com uma das características fundamentais do personagem: Dylan
é definido justamente como o “Investigador do Pesadelo", alguém cuja
profissão consiste em explorar o medo e o irracional. Sclavi utiliza essa
premissa para inverter a perspectiva e colocar o próprio Dylan no centro do
horror.
Esta foi a única história de
Dylan Dog desenhada por Claudio Villa dentro de uma publicação Bonelli. A outra
que ele fez é “Le vie dei colori”, inspirada em uma canção de Claudio Baglioni,
mas publicada como encarte da revista Tutto Musica e Spettacolo, da Mondadori.
Villa é o criador visual de Dylan Dog e desenhou as primeiras 41 capas da revista, além de edições especiais. Nesta história, ele faz uma homenagem às principais capas que desenhou para o personagem.
Corações sem donos (Cuori randagi)
Desenhos de Enea Riboldi.
Publicada originalmente em “Dylan
Dog Gigante” n.8, de novembro de 1999.
Era um canalha, um explorador
miserável, e não há por que se surpreender que uma das garotas que ele
explorava tenha finalmente decidido dar cabo dele. Mas Jo Beth é realmente culpada? Somente o velho Botolo pode inocentá-la, mas como
levar um cachorro ao banco das testemunhas?
A história destaca um dos temas
mais caros a Sclavi: a relação entre seres humanos e animais abandonados. O
próprio título já remete aos "corações sem dono", aos marginalizados
e aos que vivem à margem da sociedade.
Um detalhe interessante é a
presença de Botolo, que já havia desempenhado um papel importante em Johnny
Freak e reaparece em “Corações sem dono”, reforçando a conexão emocional da
trama com os cães de rua e com a ideia de solidariedade entre os excluídos.
O Paraíso dos Turistas (Il
paradiso dei turisti)
Desenhos de Bruno Brindisi.
Publicada originalmente no
suplemento do jornal italiano La Repubblica, “I viaggi di Repubblica”, n. 139,
agosto de 2000.
A história é um pequeno exemplo
de como Sclavi consegue transformar um tema cotidiano, neste caso, as férias e
o turismo organizado em uma reflexão inquietante sobre a sociedade
contemporânea.















































































Vamos lá pessoal. Sua opinião é muito importante. Tem Preguiça Não de comentar.