A nova fase de X-Men, escrita por Jed MacKay, faz parte da iniciativa editorial “Renascidos das Cinzas”. A proposta não é simplesmente retornar ao passado, mas lidar diretamente com as consequências da fase Krakoa. Como o próprio roteirista resume, a pergunta que move a série é simples e devastadora: o que sobra quando o sonho de uma nação mutante colapsa?
Nesta matéria, acompanhamos as sete
primeiras edições da revista X-Men, publicadas no Brasil em Os Fabulosos X-Men,
pela Panini Comics. A história acompanha a equipe liderada por Ciclope, que
conta com Magneto, Fera, Fanático, Psylocke, Magia, Kid Ômega e Têmpera.
Uma das mudanças mais visíveis
dessa nova fase está no cenário. Em contraste direto com a vegetação viva e a
tecnologia orgânica de Krakoa, os X-Men passam a operar a partir de uma antiga
fábrica de Sentinelas, no Alasca.
Segundo MacKay, a escolha foi
intencional. Inspirado pela estética industrial de obras como Metal Gear Solid,
especialmente a instalação militar Shadow Moses, o roteirista buscou um
ambiente que simbolizasse reconstrução a partir da opressão.
| Base Shadow Moses, em Metal Gear Solid. |
A principal força da fase escrita por MacKay está em recusar a ideia de um simples “retorno ao básico”. A era Krakoa não é ignorada, suas conquistas e erros continuam influenciando as decisões dos personagens. O sonho mutante ainda existe, mas carrega cicatrizes profundas. Entre experimentos genéticos, ameaças tecnológicas e um futuro evolutivo incerto, os X-Men entram em uma nova etapa: menos utópica, mais instável e possivelmente mais perigosa do que qualquer fase recente.
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Jed MacKay ganhou notoriedade em
títulos como Cavaleiro da Lua, Doutor Estranho e Gata Negra. Depois assumiu as
duas grandes equipes da Marvel. Vingadores e X-Men. |
No centro da narrativa está Scott
Summers, o Ciclope, retratado como um líder experiente que precisa reavaliar
seu papel em um mundo onde os mutantes deixaram de ser uma potência
geopolítica. Durante a era Krakoa, os X-Men operavam com respaldo diplomático,
um sistema de ressurreição e influência política global. Agora, tudo isso
desapareceu.
Sem esse aparato, Ciclope volta a liderar um grupo vulnerável. O mundo voltou a enxergar os mutantes como uma ameaça, e a relação com o governo dos Estados Unidos permanece marcada pela desconfiança. A própria base no Alasca ilustra bem essa nova realidade: a antiga fábrica de Sentinelas não foi um presente estatal, mas o resultado de um acordo judicial após conflitos envolvendo mutantes e o governo.
Outro ponto importante é a ausência de Jean Grey na equipe. A personagem ganhou uma revista própria, ainda inédita no Brasil, e não aparece ao lado dos X-Men nessas primeiras histórias. Segundo MacKay, essa separação foi deliberada.
“Convém a nós deixar cada título respirar e se sustentar por conta própria antes de começarmos a conectá-los. E também é parte de um relacionamento à distância. O Scott está na Terra e a Jean no espaço, então ela não vai estar por perto o tempo todo. Isso é algo que vamos explorar mais adiante. Mas, nessas primeiras edições, o foco está mais nos nossos X-Men e no que eles estão fazendo”, destaca o roteirista.
Stegman redefine o visual dos
X-Men e temos um brasileiro nos desenhos
Com muita ação, layouts ousados e
um estilo marcante, Ryan Stegman ajudou a reformular a fase atual dos X-Men ao
lado do roteirista Jed MacKay. Segundo o artista, a ideia foi preservar os
elementos clássicos dos personagens enquanto adicionava novas interpretações.
Um exemplo é o visor de Ciclope, agora mais destacado e com formato mais
quadrado. “A ideia é que funcione como se houvesse um computador integrado ao
visor, capaz de ajudá-lo em várias funções, como enxergar em 360 graus. Esse tipo
de tecnologia já existe hoje”, explica.
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| Stegman não gosta que comente, mas sua versão do Ciclope ficou muito mais jovem. |
Stegman também optou por dar a cada integrante da equipe uma cor característica, evitando uniformes totalmente padronizados. “Não queria que todos tivessem exatamente o mesmo traje. Prefiro que cada personagem tenha um detalhe próprio”, afirma. No caso do Ciclope, a escolha foi o amarelo, além do retorno ao visual com o cabelo à mostra. Psylocke usa um traje completo, ao invés do habitual traje ninja sensual. E Magneto é o mais chocante. Usa um belíssimo terno púrpura, mas está em uma cadeira flutuante.
A partir da edição #4, a revista
também passa a contar com a arte do brasileiro Netho Diaz, que em 2026, com a
saída de Stegman, assumirá como artista principal ao lado de Tony Daniel.
Depois de chamar a atenção dos
leitores em X-Men: O Herdeiro de Apocalypse, Diaz passou a dividir as páginas
da série principal com Stegman. O brasileiro atua nos quadrinhos desde 2012, e trabalhou
para diversas editoras antes de chegar à Marvel Comics.
O caminho, porém, não foi fácil.
O artista relembra críticas duras e trabalhos mal remunerados no início da
carreira. “Recebi críticas muito pesadas, fui rejeitado muitas vezes e tive
clientes que pediam correções infinitas. Então, quando as pessoas veem onde
estou hoje, é importante lembrar que foi um longo caminho.”
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Netho começou nas grandes
editoras fazendo G.I. Joe (IDW), Dungeons and Dragons (IDW), Halo (Dark Horse)
e na DC Comics fez Aquaman e Liga da Justiça. Foto: Arquivo Pessoal |
Em 2013, quando trabalhou para a DC Comics, algumas resenhas chegaram a dizer que esperavam nunca mais ver seu trabalho na revista. Em vez de desanimar, ele transformou o episódio em motivação. “Isso me empurrou para melhorar e entender melhor a linguagem dos quadrinhos. Trabalhei mais do que nunca e isso acabou chamando a atenção da Marvel.”
A arte de Diaz costuma ser
associada à estética vibrante dos super-heróis dos anos 1990, inspirada por
nomes como Jim Lee, Adam Kubert, Neal Adams e Joe Quesada. Ele também cita o
próprio Ryan Stegman como referência. “Tento manter meu estilo próximo ao dele
para que os leitores não sintam uma mudança brusca entre as edições, mas ainda
deixando minha própria marca.”
Chegar à linha principal dos
X-Men representa, para Diaz, mais do que um avanço na carreira, é a prova de
que persistência e dedicação podem transformar sonhos em realidade.
Apresentações feitas, vamos
visitar as revistas e fica o aviso de que podem surgir spoilers:
“Uma espécie batizada no fogo”
X-Men (2024) #1 (publicada em Os
Fabulosos X-Men #1, Panini Comics)
Roteiro: Jed MacKay | Desenhos:
Ryan Stegman
A edição alterna entre as missões
da equipe e a tentativa de estabelecer uma convivência pacífica com a
comunidade de Merle, no Alasca, local onde está instalada a antiga fábrica de
Sentinelas que os X-Men estão usando como base. Enquanto parte dos X-Men estão
em uma missão de resgate, Fera recebe a visita da chefe de polícia Paula
Robbins, preocupada com a presença do grupo na região.
A antiga fábrica já foi uma importante fonte de empregos para a cidade, antes de ser automatizada pela Orchis e posteriormente destruída pelos Vingadores. Agora sob controle dos X-Men, o local desperta desconfiança. Fera tenta mostrar que a equipe busca reconstruir o espaço e cultivar vida, inclusive com projetos agrícolas que tornam a base autossustentável. Ainda assim, a tensão permanece. Para os moradores, trata-se de um símbolo econômico perdido. Para os mutantes, é um monumento ao genocídio.
A situação ganha outra dimensão
com a chegada de Magneto. Mesmo sentado em uma cadeira voadora, sua presença
impõe respeito. Se Fera representa a diplomacia e a reconstrução, Magneto
encarna o aviso: os “filhos do átomo” não permitirão que a história se repita.
O contraste entre os dois reforça o dilema central da nova fase: coexistência
ou confronto.
Em paralelo, a equipe descobre
que Wolverine foi capturado por remanescentes da Orchis. O grupo responsável
agora se autodenomina “Quarta Escola”, uma facção surgida após a traição da
inteligência artificial da organização contra seus próprios membros humanos.
A ideologia do grupo é distorcida. Eles acreditam que o próximo estágio evolutivo da humanidade passa pela fusão entre humanos, mutantes e inteligência artificial. Em vez de exterminar mutantes, desejam consumi-los para se tornar essa nova espécie híbrida. Durante o confronto, seis adultos têm seus genes X ativados simultaneamente, algo considerado praticamente impossível até então. Kid Ômega confirma que eles não são experimentos artificiais, mas mutantes genuínos.
O mistério aumenta quando, no
auge da batalha, os seis desaparecem subitamente, encerrando o confronto. Nas
sombras, porém, surge uma nova ameaça: a 3K, liderada por quatro figuras
misteriosas.
De volta à base, a edição termina com um momento decisivo. Wolverine anuncia a Ciclope que está deixando a equipe. Cansado das derrotas constantes e da sensação de que a civilização sempre falha com os mutantes, ele decide se afastar. O personagem, no entanto, continua ativo em outras frentes: integra a equipe liderada por Vampira em Uncanny X-Men e mantém aventuras em sua revista solo.
Enquanto isso, Ciclope e Fera discutem a necessidade de fortalecer os laços com a cidade. A chefe de polícia demonstra disposição para o diálogo, mas a relação ainda é frágil. Fera chega a sugerir a desmontagem do enorme Sentinela que permanece erguido sobre a paisagem. O motivo de ele estar ali será explicado em uma edição posterior.
A pergunta que irá desenrolar os novos rumos dos X-Men é clara: quem está por trás da ativação tardia dos genes X e qual será o verdadeiro objetivo dessa suposta “evolução final” que mistura humanos, mutantes e IA?
“Invasão”
X-Men (2024) #2 (publicada em Os
Fabulosos X-Men #2, Panini Comics)
Roteiro: Jed MacKay | Desenhos:
Ryan Stegman
A segunda edição aprofunda as
consequências do fim da era Krakoa e coloca a equipe liderada por Ciclope
diante de uma ameaça inesperada: um mutante nível Ômega capaz de distorcer a
própria realidade.
A história começa com Ben Liu, um homem aparentemente em situação de rua que carrega um cartaz afirmando ser sobrevivente de uma abdução alienígena. Visivelmente perturbado, ele insiste que “eles” voltarão para buscá-lo. Quando uma assistente social tenta ajudá-lo, seus poderes despertam de forma explosiva: no céu de São Francisco, uma gigantesca invasão alienígena toma forma, com naves descendo sobre a cidade e criaturas hostis avançando pelas ruas.
Os X-Men entram imediatamente em
ação. A bordo da nave Carrasco, Ciclope coordena a operação enquanto Kid Ômega
se conecta mentalmente aos sistemas da nave e dispara projéteis telecinéticos
contra os invasores. No solo, Ciclope, Psylocke e Magia enfrentam as criaturas,
enquanto Têmpera, Fanático e Kid Ômega assumem o combate aéreo.
Uma das sequências mais marcantes da edição ocorre quando Fanático é literalmente lançado como um projétil contra a nave-mãe. O impacto destrói parte da estrutura alienígena, mas revela algo estranho: os inimigos começam a se desintegrar, como se não fossem totalmente reais.
Ciclope é o primeiro a perceber o padrão. Aquilo não é uma invasão alienígena verdadeira, mas a manifestação dos poderes de Ben Liu. Quando os X-Men localizam o homem, descobrem que ele é o epicentro do caos. Sem compreender sua natureza mutante, Ben acredita de fato ter sido abduzido por extraterrestres e vê na invasão a confirmação de seu trauma. Ao ouvir de Ciclope que tudo é fruto de seus próprios poderes, ele reage com revolta.
Desestabilizado, Ben libera uma
onda massiva de energia que lança os X-Men para longe. Tomado pelo pânico e
pela paranoia de que todos querem capturá-lo, ele usa seus poderes de forma
extrema e simplesmente apaga a si mesmo da existência.
De volta à base no Alasca, Ciclope toma uma decisão estratégica. Para o mundo, Ben Liu morreu nas ruas de São Francisco, consumido por seus próprios poderes, uma ilusão criada por Magia e Kid Ômega. Na realidade, o mutante foi resgatado e está sob cuidados médicos na base dos X-Men.
A situação levanta uma hipótese alarmante: alguém pode estar provocando artificialmente o despertar de genes X, talvez selecionando ou manipulando poderes específicos. Se for possível criar mutantes de nível Ômega sob medida, o equilíbrio de forças no mundo pode mudar de forma irreversível.
Ao forjar a morte de Ben, Ciclope
demonstra não apenas estratégia, mas também prudência. Um mutante com esse
nível de poder pode se tornar um aliado crucial ou um alvo imediato. Antes de
apresentá-lo ao mundo, os X-Men precisam entender exatamente o que está
acontecendo.
“Scott Summers vs. Estados Unidos
da América”
X-Men (2024) #3 (publicada em Os Fabulosos X-Men #3, Panini
Comics)
Roteiro: Jed MacKay | Desenhos:
Ryan Stegman
A terceira edição aprofunda o
cenário político que começa a se formar ao redor da equipe liderada por Ciclope
e coloca os X-Men sob pressão. A suposta morte de Ben Liu desencadeia pânico na
população. Se adultos podem se tornar mutantes de forma repentina, surge um
temor perigoso: e se o gene X estiver se comportando como algo contagioso?
Mesmo sem evidências, a simples especulação já é suficiente para aumentar a
tensão entre humanos e mutantes.
Enquanto a equipe tenta entender o caso de Ben, a organização governamental O.N.E (Office of National Emergency) envia agentes ao Alasca. Oficialmente, a missão é de supervisão e contenção. Na prática, trata-se de pressão política. Em um restaurante da cidade, Ciclope confronta o agente federal Lundqvist, que questiona a presença ativa dos X-Men em território americano.
Scott Summers relembra que a
antiga fábrica que hoje serve de base para a equipe não foi um “presente” do governo,
mas o resultado de um acordo judicial após o processo “Scott Summers vs.
Estados Unidos”. Ele também recorda os crimes cometidos durante a ascensão da
ORCHIS, sob conivência estatal: prisões ilegais, tortura, execuções planejadas
e o assassinato de sua esposa. Ao aceitar a fábrica como indenização, argumenta
Scott, foi o próprio governo que saiu ganhando.
O diálogo deixa claro que o conflito entre os X-Men e o Estado está longe de terminar. O agente menciona que o governo já possui sua própria equipe mutante, o X-Factor, liderado por Alex Summers, o Destrutor, irmão de Scott, numa tentativa de deslegitimar a atuação dos X-Men. A resposta de Ciclope é direta: talvez seja melhor que figuras como Magneto, Magia, Psylocke e Fanático estejam sob sua liderança, e não formando uma nova Irmandade de Mutantes.
Enquanto o embate político se desenrola, o quartel-general dos X-Men é invadido por um esquadrão de agentes invisíveis e tecnologicamente camuflados. A operação é precisa e aparentemente não letal. O objetivo não é matar, mas capturar ou destruir algo específico.
Kid Ômega descobre a invasão ao acessar as memórias recentes de Fera, encontrado inconsciente. Magia, capaz de perceber as “almas” dos invasores, torna-se peça-chave para localizá-los. A revelação vem por meio de Psylocke: os intrusos não estão atrás de Magneto nem de Ben Liu. O verdadeiro alvo é o Cérebro.
A tentativa de sabotagem culmina
em um confronto direto com Têmpera, que demonstra com precisão e criatividade o
alcance de seus poderes. Ao manipular energia térmica, ela transforma o calor
de granadas incendiárias em gelo, imobilizando os agentes. Mais do que um
momento de ação, a cena consolida a personagem como uma força relevante dentro
da equipe.
A edição também dedica espaço a
um embate ideológico entre Magneto e Têmpera. Ela o confronta pelo passado em
Krakoa, lembrando que ele participou de decisões duras, incluindo o envio de
mutantes ao chamado Poço do Exílio, destino reservado àqueles que violavam as
leis da nação mutante. Para Têmpera, Krakoa nunca foi a utopia celebrada por
muitos, mas um sistema punitivo e moralmente falho.
O contraste reforça o clima da nova fase: o sonho krakoano ruiu, e cada personagem carrega cicatrizes diferentes desse período.
Após o confronto com o agente
federal e a resolução da invasão, a edição termina com Scott sozinho no
banheiro, tentando se recompor. O gesto é simples, lavar o rosto, respirar
fundo, repetir para si mesmo que precisa manter o controle, mas sugere algo
mais profundo: o início de crises de ansiedade.
Veterano de guerras, perdas e perseguições, Ciclope agora enfrenta um novo tipo de batalha: liderar sob vigilância constante do governo enquanto o medo público em relação aos mutantes volta a crescer.
“Arrivistas”
X-Men (2024) #4 (publicada em Os
Fabulosos X-Men #4, Panini Comics)
Roteiro: Jed MacKay | Desenhos:
Netho Diaz
A edição abre com Trevor Fitzroy,
líder de uma nova encarnação dos Upstarts, transmitindo uma mensagem ao mundo.
Diferentemente dos X-Men, que costumam atuar nos bastidores para conter crises,
Fitzroy aposta no espetáculo. Seu objetivo é direto: assassinar os X-Men ao
vivo, transmitindo tudo em streaming para conquistar popularidade e validação
pública.
O plano tem dois objetivos. Ao mesmo tempo em que promove um ataque direto à equipe, ele explora o medo crescente em torno das mutações tardias, reforçando a narrativa de que os mutantes são uma ameaça fora de controle. O alvo imediato é um novo mutante em Detroit, cuja transformação recente o torna vulnerável física e socialmente.
Com parte da equipe indisponível,
Ciclope envia um grupo reduzido para a missão: Magia, Fanático, Têmpera e Fera.
Obcecado em compreender cientificamente a ativação do Gene-X em adultos, Hank
McCoy resiste à ordem de ir a campo. Sua reação é marcada por paranoia e por um
discurso alarmista sobre “bombas-relógio mutantes”. A intervenção de Magia
encerra o impasse, mas levanta uma questão inquietante: até que ponto o
cientista corre o risco de ultrapassar novamente limites éticos, como ocorreu
com sua versão anterior em Krakoa?
Vale lembrar que o Fera atual é
um clone mais jovem e “restaurado” do personagem que se tornou vilão durante a
era Krakoa. Criado a partir de um backup de memórias anterior à sua corrupção,
ele recupera o idealismo do passado, mas também perdeu parte do conhecimento
científico acumulado ao longo dos anos. Este Fera é o da década de 1980, quando
fazia parte dos Vingadores e participava de aventuras junto ao seu amigo
Magnum. Stegman trouxe até os traços da época, olheiras profundas e cabelo
espetado como o de Wolverine.
Ainda assim, a sombra do chamado “Fera Negro” parece pairar sobre o personagem, sugerindo que sua obsessão pelo conhecimento pode novamente levá-lo a decisões moralmente ambíguas.
O confronto em Detroit é direto e
caótico. Fitzroy demonstra o alcance de seus poderes ao abrir portais
temporais, chegando a despejar magma da erupção do Monte Etna sobre Magia.
Enquanto isso, os demais Upstarts enfrentam Fanático e o restante da equipe. Provocado
por não ser mutante, Fanático responde de forma firme: ao usar o “X” em seu
uniforme, ele escolhe assumir o peso simbólico do emblema. Mais do que uma
marca biológica, o símbolo passa a representar um posicionamento político.
Durante o combate, Têmpera consegue retirar a jovem mutante do campo de batalha, protegendo-a da exposição pública e da violência. A cena reforça o drama humano por trás da trama: para quem manifesta poderes de forma incontrolável e visível, não existe anonimato. A mutação continua sendo sinônimo de perseguição.
Os Upstarts acabam recuando, mas
o dano midiático já está feito. A narrativa de humilhação dos X-Men começa a
circular nas redes e nos noticiários. O aparente fracasso dos vilões, ao não
conseguir eliminar os X-Men, porém, não preocupa o verdadeiro financiador do
grupo. Nos bastidores, revela-se que o patrocinador dos Upstarts é o Homem
Doce. Seu interesse não está na popularidade digital, mas na ciência por trás
das mutações tardias. O vilão quer descobrir quem está provocando o fenômeno e
como ele está sendo realizado.
De volta ao Alasca, Ciclope, Fera e Glob discutem a necessidade de ampliar as instalações para receber novos mutantes. Hank aparenta recuperar a compostura, mas sua obsessão científica permanece latente.
Quem realmente se destaca na
edição, no entanto, é Magia. Sua atuação em campo é estratégica, firme e
eficiente. Mais do que executar ordens, ela demonstra visão tática e capacidade
de liderança, consolidando-se como uma possível sucessora natural de Ciclope. Para
ela, o conflito não é uma novidade é uma continuidade. Humanos, alienígenas ou
demônios, a luta é sempre a mesma, e raramente se trata de vencer, mas de
evitar a derrota pelo maior tempo possível.
“Resgate psíquico em andamento”
X-Men (2024) #5 (publicada em Os
Fabulosos X-Men #5, Panini Comics)
Roteiro: Jed MacKay | Desenhos:
Ryan Stegman
“Latido”
X-Men (2024) #6 (publicada em Os
Fabulosos X-Men #6, Panini Comics)
Roteiro: Jed MacKay | Desenhos:
Netho Diaz
“A noite de ferro”
X-Men (2024) #7 (publicada em Os
Fabulosos X-Men #7, Panini Comics)
Roteiro: Jed MacKay | Desenhos:
Netho Diaz
A trama avança de forma decisiva
nas edições #5, #6 e #7, consolidando dois grandes eixos narrativos: a
investigação sobre a ativação artificial do Gene-X em adultos e o surgimento de
uma possível consequência devastadora do antigo protocolo de ressurreição da
era Krakoa.
Para descobrir quem está por trás
da ativação forçada do gene X de Ben Liu, Psylocke e Kid Ômega realizam uma
imersão psíquica em sua mente. O que encontram é um cenário de trauma e
memórias distorcidas, marcado por imagens de uma suposta abdução alienígena.
Conforme avançam, porém, percebem que se trata de manipulação deliberada. Um
mecanismo de defesa psíquico, materializado na forma de Dentes de Sabre, tenta
eliminá-los dentro da mente de Bem, sinal de que alguém deixou salvaguardas
para proteger segredos.
A incursão quase termina em tragédia, com ambos os telepatas sofrendo efeitos físicos no mundo real. Ainda assim, conseguem despertar Ben e extrair informações cruciais: a organização responsável se chama 3K, está provocando a ativação do Gene-X em humanos comuns e conta com a participação de Cassandra Nova, uma revelação alarmante, considerando que a vilã havia sido enviada bilhões de anos ao passado em eventos anteriores.
Na edição #6, a equipe analisa os dados coletados. Diante da possibilidade de “mutantes criados”, Magneto deixa clara sua posição: não há distinção entre aqueles que nasceram mutantes e aqueles que foram transformados. Se possuem o Gene-X ativo, são mutantes e merecem proteção. A declaração reforça o posicionamento ideológico da equipe em um momento de extrema instabilidade.
Enquanto isso, Magia e Têmpera investigam o caso de Piper Cobb, uma adolescente que aparece diante da base dos X-Men fazendo o sinal mutante. Apesar do risco de se tratar de uma armadilha ou de gerar repercussão pública negativa, elas atendem ao pedido da jovem e a levam para a base a fim de descobrir se ela é mutante. Os exames indicam que Piper é 100% humana, o que inicialmente alivia a tensão. A garota, porém, estava profundamente apreensiva: sua mãe, uma das manifestantes contra a presença dos X-Men em Merle, é abertamente anti-mutante. Nesse ponto, Jed MacKay sugere um paralelo claro com situações reais em que jovens temem a reação da própria família diante de sua identidade, especialmente em questões de gênero, revelando o medo da rejeição e da falta de acolhimento dentro de casa.
Paralelamente, Fera enfrenta um conflito interno profundo. Sente-se em desvantagem científica diante da 3K, já que não possui o mesmo acúmulo de conhecimento que sua contraparte mais radical havia adquirido ao longo dos anos.
A edição #7 volta ao passado para explicar a presença do
Sentinela nos arredores de Merle retornando à noite em que ele atacou a cidade.
Ciclope e Magneto estão tomando cerveja em um antigo alojamento da família
Summers, quando o “Sentinela Desgarrado” surgiu, um sistema autônomo capaz de
reconstruir o próprio corpo usando materiais ao redor. Magneto abre a carcaça
metálica do inimigo, permitindo que Ciclope destrua seu núcleo com um disparo
preciso.
A vitória, porém, revela um problema mais grave: Magneto perde o controle de seus poderes no momento final, colocando todos em risco. Ciclope precisa neutralizá-lo para evitar uma catástrofe.
A causa é revelada como DDRR
(Doença Degenerativa Relacionada à Ressurreição), uma condição associada ao
antigo protocolo de ressurreição mutante da era Krakoa. O processo que permitiu
aos mutantes “vencerem a morte” pode ter deixado falhas biológicas e
energéticas profundas. No caso de Magneto, o efeito se manifesta tanto
fisicamente quanto no descontrole de seus poderes.
A implicação é alarmante: se um
mutante do nível de Magneto sofre tais consequências após uma única
ressurreição, o que acontecerá com aqueles que passaram pelo processo diversas
vezes? O próprio Ciclope e Kid Ômega podem estar vulneráveis a colapsos
semelhantes.
No presente, o arco termina com um novo golpe.
Enquanto discute questões logísticas ao telefone, Fera (vestido com sobretudo e
chapéu, como sua versão dos anos 1980) é surpreendido e sequestrado em plena
luz do dia. Seu desaparecimento ocorre justamente quando sua expertise
científica é mais necessária, sugerindo que a 3K pode estar agindo de forma
muito mais direta do que se imaginava.
Este sequestro acontece ao mesmo tempo que o de Calico e Jubileu em Uncanny X-Men, e apontam para um confronto inevitável que unirá as duas equipes: O "Cerco a Graymalkin". O primeiro grande crossover da fase “Renascidos das Cinzas”.
Para saber como foram as sete primeiras edições da revista Uncanny X-Men, com a equipe liderada por Vampira, acompanha este POST.























































Vamos lá pessoal. Sua opinião é muito importante. Tem Preguiça Não de comentar.