Os Fabulosos X-Men #1–7: os X-Men de Gail Simone Renascidos das Cinzas

Leonardo Fraga
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Com o fim da era Krakoa, o universo mutante da Marvel entrou em modo reconstrução. A utopia caiu, o sonho ruiu e os X-Men voltaram a um lugar que conhecem bem: o da resistência. É nesse cenário que começa a nova fase da revista Uncanny X-Men, escrita por Gail Simone, enquanto outra equipe, liderada por Ciclope, atua no Alasca na revista X-Men, sob roteiro de Jed MacKay.

No Brasil, a Panini Comics publica desde julho de 2025 essa fase dentro da revista Os Fabulosos X-Men, reunindo o material de Renascidos das Cinzas (From the Ashes). A proposta é simples e eficiente: dividir os mutantes em frentes diferentes, com caminhos próprios e encontros pontuais.



De um lado, Ciclope, Fera, Magneto, Fanático, Têmpera e companhia organizam uma resistência mais estratégica. Do outro, Simone escreve um grupo menor, mais íntimo e emocionalmente abalado pelos acontecimentos recentes. É esse segundo núcleo que vamos acompanhar. Uma equipe formada por Vampira, Gambit, Wolverine, Jubileu e Noturno. Um time que troca as grandes estruturas políticas por algo mais próximo, quase familiar, estabelecido na Louisiana. Mas antes de falar das edições em si, vale entender o terreno onde essa história pisa.




 O mundo depois de Krakoa

 

A era Krakoa, iniciada por Jonathan Hickman, transformou a ilha viva em uma nação soberana mutante. Pela primeira vez, todos tinham um território próprio, leis próprias e até um sistema de ressurreição que tornava a morte praticamente irrelevante.

Tudo isso desmorona em “Queda de X”, quando a organização anti-mutante Orchis executa um ataque devastador. Portais são sabotados, mutantes são capturados, a opinião pública é manipulada e Krakoa deixa de ser porto seguro. O Conselho Silencioso, que governava a nação se dissolve, o sistema de ressurreição acaba e o símbolo máximo da autonomia mutante cai. Mas a ideia dos X-Men não cai junto.

Sem ilha, sem governo e sem a “imortalidade”, os mutantes voltam a viver espalhados pelo mundo. Vulneráveis, desconfiados, alguns radicais. A tensão entre humanos e mutantes volta a ser o tema central. O clima é mais político, mais social e bem menos utópico. A revista deixa claro: o sonho continua, mas agora carrega cicatrizes.



Os X-Men precisam recomeçar. Literalmente renascer das cinzas.

 

Bastidores: um time que faz sentido


Segundo Gail Simone, a formação da equipe surgiu de forma orgânica nas reuniões do X-Office, escritório editorial dos X-Men na Marvel. Jubileu e Vampira foram sugestões da editora e Gail já declarou várias vezes seu carinho por Vampira, então foi uma escolha perfeita. Gambit entra pela conexão óbvia com a esposa. Noturno, um dos favoritos da autora, permite explorar novamente o laço familiar entre ele e Vampira, algo muitas vezes esquecido. E Wolverine… bem, é o Wolverine.

Simone também afirmou que não recebeu uma cartilha rígida da editora. Partindo do cenário pós-Krakoa, construiu a trama com liberdade, deixando que temas como luto, culpa e reconstrução surgissem naturalmente. A ambientação na Louisiana não é só estética: a roteirista consultou amigos da região, inclusive descendentes de cajuns (colonos franceses fugidos do Canadá), para trazer autenticidade cultural ao cenário.


Gail Simone, roteirista da revista Uncanny X-Men.


A autora comenta que esta equipe é formada por personagens que não ficam paralisados pela dor. Eles já se reconstruíram outras vezes e estão ao lado daqueles com quem possuem laços mais profundos. Simone comenta que é possível acompanhar apenas “Uncanny X-Men", sem obrigação de consumir toda a linha mutante. Essa decisão sinaliza um esforço para tornar os títulos mais acessíveis, especialmente após a fase complexa e altamente interligada da era Krakoa.


Os Fabulosos X-Men na arte de David Marquez.


 O retorno de Uncanny X-Men como declaração de intenções


Durante a era Krakoa, a ausência de Uncanny X-Men foi sentida. O título clássico ficou de lado enquanto Hickman reformulava completamente a mitologia mutante. Por isso, quando a revista retomou o título original em “Renascidos das Cinzas”, o recado foi claro: era hora de reconectar com as raízes. Até o logotipo clássico retornou.

No centro dessa nova fase está Vampira e essa é, talvez, a decisão mais acertada. Ela assume a liderança não porque é a mais poderosa, mas porque é quem consegue continuar mesmo em meio ao luto. Simone evita transformá-la em uma comandante fria. Pelo contrário: ela está abalada, insegura e humana. E é justamente isso que fortalece sua presença.



A dinâmica do grupo também funciona e ninguém carrega a história sozinho. Jubileu ganha momentos de introspecção importantes. Wolverine fica um pouco mais contido, permitindo que outros personagens se destaquem. E a vilã do primeiro arco, Sarah Gaunt, foge do clichê da antagonista genérica, trazendo um peso temático que dialoga com identidade, trauma e herança.

No fim das contas, não é apenas mais uma HQ de equipe. Há consequência nas decisões, há dor real e há uma sensação de que o passado sombrio ainda está muito presente e relevante.



Arte: entre o belo e o perturbador


A arte de David Marquez é um dos grandes trunfos da fase. Ele equilibra ação intensa com momentos intimistas de forma impressionante. Seus rostos são expressivos, arredondados, com olhos grandes e rostos expressivos que às vezes lembram mangá, mas sem perder o peso dramático. Quando precisa desenhar horror ou violência, ele entrega criaturas e cenas impactantes sem quebrar a estética da revista.

A coloração de Matthew Wilson reforça cada clima: os tons quentes e úmidos dos pântanos contrastam com azuis frios e quase sufocantes nas cenas noturnas. O resultado é uma HQ que sabe ser humana e assustadora na mesma medida.



Agora que o terreno está estabelecido, e fica o aviso de que podem surgir spoilers, é hora de mergulhar nas edições e ver como essa nova fase começa a construir o futuro dos mutantes.

 

“Onda Vermelha”

Free Comic Book Day 2024: Blood Hunt/X-Men (Publicada em Os Fabulosos X-Men #1 – Panini Comics)

Uncanny X-Men #1 (Publicada em Os Fabulosos X-Men #2 – Panini Comics)

Roteiro: Gail Simone / Desenhos: David Marquez



A história curta publicada no especial de Free Comic Book Day funciona como um retrato rápido e doloroso da situação atual dos mutantes. Acompanhamos Jubileu visitando a antiga Escola para Jovens Superdotados do Professor Xavier, apenas para encontrar o lugar sendo desmontado e transformado em uma prisão de segurança máxima para mutantes. Não é só um prédio sendo alterado, é o colapso definitivo do sonho de convivência pacífica idealizado por Xavier.




Depois, Jubileu para em um restaurante de beira de estrada e presencia uma cena que se torna cada vez mais comum: uma mutante sendo alvo de preconceito por um grupo de jovens. É aí que a edição apresenta um detalhe interessante, um sinal feito com as mãos que funciona como pedido de socorro entre mutantes. O gesto consiste em manter os dedos médio e anelar retraídos enquanto os outros apontam para baixo, lembrando a intenção do sinal universal de ajuda usado por mulheres em situação de risco no mundo real.





Quando percebe o que está acontecendo, Jubileu não hesita. Ela parte para cima dos agressores e deixa claro que, mesmo com tudo desmoronando, ainda dá para contar com um X-Men quando a coisa aperta.



A história termina com uma revelação inquietante: na prisão, administrada pela misteriosa Dra. Corina Ellis, temos apenas um vislumbre de uma cela altamente fortificada que mantém alguém conhecido apenas como “Detento X”.




Uncanny X-Men #1 chega estabelecendo o tom dessa nova fase sem rodeios. Na Cidade do México, Wolverine, Vampira e Gambit enfrentam Sadurang, o Deus-Cobra, uma entidade mística que carrega o segundo Olho de Agamotto. O confronto termina, após belíssimos quadros de David Marquez, mais em negociação do que em vitória, mas deixa um aviso preocupante sobre uma ameaça futura chamada “Derradeiro”.





Logo depois, a equipe atende ao chamado de Harvey X, um jovem mutante telepata com um tumor cerebral. Fã declarado dos X-Men, ele ganha de Noturno uma jaqueta clássica da época dos Novos X-Men de Grant Morrison. O momento é bonito e muito triste. Harvey vem a falecer pouco depois, mas não antes de prever a aproximação de algo terrível. A perda atinge o grupo em cheio, especialmente Vampira, que relembra o que a escola de Xavier representou em sua própria vida.





De volta à Louisiana, reunidos em um orfanato, Wolverine, Vampira e Gambit discutem o inevitável: ainda faz sentido continuar sendo X-Men? Com Ciclope liderando outro grupo e vários mutantes espalhados pelo mundo, a equipe está fragmentada. O cenário é de incerteza, e o mundo parece cada vez menos disposto a tolerar sua existência. Antes que cheguem a qualquer decisão, quatro figuras saem da floresta pedindo ajuda. “Ela está vindo”, avisam.





Uncanny X-Men #1 entrega um começo forte ao misturar repressão institucional, ameaça mística e drama humano. A equipe não surge como uma força já consolidada, mas como pessoas tentando entender quem são agora que tudo o que conheciam ruiu. O sonho de Xavier pode estar preso atrás das grades, mas a necessidade dos X-Men permanece viva, ainda que fragmentada, ferida e ameaçada por um futuro incerto.

 

“Onda Vermelha” – Parte 2: Houve um Antes, Haverá um depois.

“Onda Vermelha” – Parte 3: O Infiltrado

Uncanny X-Men #2 e #3 (Publicada em Os Fabulosos X-Men #3 e #4 – Panini Comics)

Roteiro: Gail Simone / Desenhos: David Marquez





A história avança bem nas edições #3 e #4 da Panini. A terceira edição se inicia com trechos apresentados como páginas dos diários particulares de Charles Xavier, escritos antes da fundação da escola e antes do caos que redefiniria sua vida.

Antes de Moira, houve Sarah, uma mulher por quem Xavier se encantou profundamente. A relação, até então desconhecida do grande público leitor, torna-se peça-chave do conflito atual. No presente, descobre-se que Sarah é agora a enigmática vilã conhecida como a Bruxa, responsável por caçar mutantes mediante recompensa. Sua conexão com Xavier adiciona uma camada pessoal ao conflito e reposiciona o fundador dos X-Men como parte central de uma ameaça que mistura a intimidade de seu passado com violência sobrenatural.




Enquanto isso, em Haven, o orfanato que os X-Men estão morando na Louisiana, Vampira e Gambit tentam estabelecer um novo começo ao lado de Wolverine e Noturno quando quatro jovens surgem vindos da floresta, afirmando estarem sendo perseguidos por uma criatura monstruosa e pedindo ajuda desesperadamente.

Os adolescentes rapidamente demonstram habilidades incomuns, e o que começa como uma conversa tensa se transforma em confronto direto. A situação escala quando o Olho de Agamotto, em posse de Gambit, dispara acidentalmente, atingindo um dos jovens. A partir daí, os poderes do grupo vêm à tona:

Arrepio ativa habilidades específicas por exatamente um minuto, bastando declarar em voz alta.



Resgate nasceu sem coração e sobreviveu a múltiplos disparos, tornando-se mais forte após cada tentativa de execução.



Sonho de Morte transita entre vida e morte. Faleceu diversas vezes ainda recém-nascido. Ele mantém ligação constante com os mortos.



Calico (Becca), aparentemente não mutante, possui uma conexão inexplicável com seu cavalo Ember e habilidades ainda não totalmente compreendidas.



Apesar do elemento surpresa inicial favorecer os jovens, os X-Men rapidamente retomam o controle. A chegada de Jubileu ajuda a estabilizar o confronto, mas Wolverine percebe algo perturbador: os adolescentes “cheiram a coisa podre”. Há algo errado além do medo e do desespero.



Paralelamente, a Mansão X funciona como centro de detenção sob comando da Dra. Ellis, que tenta desmoralizar os prisioneiros. Enquanto Ciclope adota uma estratégia cautelosa antes de agir, preferindo reunir informações antes de iniciar um conflito direto com o governo ou com as forças responsáveis pela prisão. Entre os encarcerados está o próprio Charles Xavier, agora reduzido a um número. Ellis também tenta manipular Siryn, oferecendo-lhe posição privilegiada em troca de cooperação.



Em Haven, Vampira decide testar as capacidades dos jovens, improvisando uma espécie de Sala de Perigo. Noturno assume o papel de alvo, segurando um cinto que os adolescentes precisam tomar dele. O exercício expõe tanto o potencial quanto a instabilidade do grupo.

Arrepio demonstra como seu poder, embora versátil, pode gerar consequências graves. No passado, ao usar sua habilidade para se tornar kickboxer deixou uma colega permanentemente incapacitada. Resgate revela ter sido abandonado pela própria família após seu sequestro. Sonho de Morte, por sua vez, carrega traumas profundos ligados à morte e à sensação constante de não pertencer ao mundo dos vivos.



A origem dos poderes também levanta dúvidas: embora alguns apresentem características mutantes, não há confirmação de que todos sejam de fato mutantes tradicionais. Calico, por exemplo, não demonstra ter o gene X.



Sentindo-se instável e perigoso para os que ama, Wolverine decide deixar Haven. Ele admite a Vampira que algo dentro dele está errado, algo selvagem demais para ser controlado no momento. Temendo machucar inocentes, opta pelo isolamento.


Marquez fez um Wolverine com os olhos cerrados. Lembra muito Clint Eastwood em seu traço.

No entanto, ao adentrar uma floresta nacional, ele é surpreendido por alguém que sequer consegue farejar ou ouvir: a Bruxa. Sarah revela que suas garras são forjadas a partir do metal derretido de lâminas de assassinos, um material que ela chama de “aço sombrio”, impregnado com os gritos das vítimas.



O confronto é brutal.
As garras de Sarah atravessam o abdômen de Wolverine, rasgando-o profundamente. Enquanto luta para sobreviver, ele entra em contato telepático com Vampira, dizendo que está mergulhado na escuridão e que talvez não haja luz para onde está indo. 




Vampira cai de joelhos ao sentir a dor intensa que atravessa o elo entre eles. Wolverine está morrendo. Além do ataque físico, a Bruxa deixa claro que seu objetivo vai além da caça. Ela busca os jovens e promete afastá-los definitivamente de Xavier.

 

“Onda Vermelha” – Parte 4: No Olho do Furacão

Uncanny X-Men #4 (Publicada em Os Fabulosos X-Men #5 – Panini Comics)

Roteiro: Gail Simone / Desenhos: David Marquez

 


A história abre novamente com uma página do diário pessoal de Charles Xavier. O registro ocorre 30 dias após ele conhecer Sarah, revelando que ambos viviam um relacionamento intenso e aparentemente harmonioso. A atmosfera muda abruptamente quando Sarah comunica que está grávida. A revelação desestabiliza Xavier, que percebe o quão pouco os dois realmente se conhecem. Ainda assim, por um instante, ele considera a possibilidade de assumir aquela nova vida.



Após os eventos da edição anterior, Wolverine fica gravemente ferido por Sarah. Noturno transporta Vampira até o local onde Logan caiu e diz que não sabe explicar como percebeu o perigo, apenas sentiu que ele estava morrendo sozinho na escuridão. Algo que ela não permitiria que acontecesse.

A cena é impactante: Wolverine está consciente, mas completamente dilacerado, com o corpo coberto de sangue e as roupas reduzidas a farrapos. Seus olhos foram arrancados! Nem o seu fator de cura dá conta de curá-lo de tantos ferimentos. Vampira recorda que foi Logan quem a ensinou a não odiar a si mesma e o primeiro homem decente que declarou gostar dela sinceramente. Diante do estado crítico do aliado, ela pede que Noturno o retire dali imediatamente.



Antes de ser teleportado, Wolverine informa que a mulher responsável pelo ataque ainda está nas proximidades. Determinada a impedir que mais alguém se machuque, Vampira decide enfrentar Sarah sozinha. Nem mesmo Gambit consegue fazê-la mudar de opinião. Ela exige que ele permaneça protegendo os jovens e chega a invocar o compromisso do casamento para garantir que ele não intervenha.



O confronto entre as duas é brutal. Vampira acerta o primeiro golpe, mas rapidamente percebe que Sarah possui uma força devastadora, superior até mesmo à de Colossus, segundo ela. A vilã demonstra não apenas poder físico, mas uma convicção fanática. Enquanto isso, Wolverine é levado para Haven, onde é colocado sobre a mesa da cozinha improvisada como enfermaria. Seu estado inspira preocupação geral, mas o foco logo se desloca para outra crise.



Na prisão da Mansão X, Ellis e seus superiores enfrentam uma situação delicada. Ao lado deles está Escorbuto, o mutante capaz de anular os poderes de outros, peça-chave na nova prisão. Após analisar a situação, ele conclui que Sarah age por conta própria, movida por um objetivo específico. E esse objetivo não são os X-Men veteranos, mas sim os jovens mutantes. Corina inicialmente demonstra indiferença, mas muda de postura quando é lembrada de que os adolescentes têm entre 15 e 17 anos, idade próxima à de seu próprio irmão.

De volta ao confronto principal, Sarah subjuga Vampira e revela a origem de seu poder. Ela afirma extrair força de toda forma de vida ao redor, árvores, insetos, cada organismo presente na vasta extensão de floresta do estado. A natureza é sua fonte energética. Quando Vampira tenta convencê-la de que os mutantes não são responsáveis por sua dor, Sarah esclarece que sua culpa é direcionada a Xavier. Em seguida, a história apresenta sua tragédia pessoal.




17 anos antes, durante um furacão devastador, Sarah perdeu o filho pequeno nas enchentes e, consumida pela culpa, tentou se matar se jogando na água. O que emergiu três dias depois não era mais a mesma mulher. Essa revelação transforma a antagonista em uma figura movida por dor e delírio, não por ideologia anti-mutante tradicional. Seu ressentimento está ligado a Xavier e ao passado que compartilham.



Enquanto Vampira luta, Haven é cercada por forças hostis enviadas por Sarah que pretendem capturar ou eliminar os jovens mutantes. Gambit ordena que os adolescentes mutantes e a família anfitriã que lhes ofereceu abrigo em Haven se abriguem no porão, mas Jubileu e Noturno se recusam a deixá-lo enfrentar a ameaça sozinho. Até mesmo os jovens mutantes rejeitam permanecer escondidos e sobem para lutar ao lado dos X-Men. A tensão atinge o ápice quando Wolverine, ainda gravemente ferido, surge para se juntar à defesa. Segundo ele, basta apontá-lo na direção do inimigo.

 

“Onda Vermelha” – Conclusão: Trovões em nossos corações

Uncanny X-Men #5 (Publicada em Os Fabulosos X-Men #6 – Panini Comics)

Roteiro: Gail Simone / Desenhos: David Marquez

 



A quinta edição de Uncanny X-Men combina ação intensa e forte carga emocional ao concluir o confronto contra Sarah e consolidar a liderança de Vampira. A HQ se inicia seis meses antes dos acontecimentos principais, em Buffalo, Nova York, com Vampira em uma aula de dicção. A cena aparentemente simples ganha peso quando a heroína é solicitada a verbalizar uma frase, mas não consegue. O prólogo ecoa de forma contundente quando a história retorna ao presente, mostrando Vampira gravemente ferida, caída no chão após ser derrotada por Sarah.




Enquanto jaz ensanguentada, ela reconhece que não está morta, a dor é intensa demais para isso. Sarah derrotou dois X-Men com facilidade, quebrando-os “como pescoços de galinha que vai pra panela”, segundo Vampira. Ainda assim, mesmo à beira do colapso, ela tenta se levantar, movida pela convicção de que todos contam com ela. O esforço, porém, é inútil. Quando volta a cair, Sarah surge sobre seu corpo e, em tom cruel, anuncia uma ideia sádica: escalpelar Vampira.



É nesse momento que uma voz familiar se manifesta na mente de Vampira, oferecendo ajuda. Vampira encontra Harvey X e ele revela que escondeu o verdadeiro alcance de seus poderes precognitivos e que guiou os eventos até aquele momento, inclusive permitindo que Vampira absorvesse parte de suas habilidades antes de morrer.



Harvey sabia que seu sacrifício era inevitável, mas queria ajudar os X-Men. Usando um fator de cura que preservou até o instante decisivo, ele restaura o corpo de Vampira, permitindo que ela retorne à luta. Revigorada, ela derrota Sarah e descobre uma verdade crucial: a vilã mentiu ao afirmar que estava grávida de Charles Xavier, enfraquecendo sua narrativa de vingança.




Antes de partir definitivamente, Harvey realiza seu sonho simbólico de se tornar um X-Man, sendo reconhecido por Vampira como “Harvey X-Man”. Seus poderes desaparecem com ele.

Enquanto isso, no Orfanato Haven, Gambit e os demais X-Men se preparam para o confronto contra as forças reunidas por Sarah. O clima que antecede a batalha mistura tensão e humor. Wolverine afirma ser capaz de farejar 104 pessoas se aproximando e observa, com ironia, que pelo menos três compartilham a mesma doença sexualmente transmissível, revelando um detalhe inusitado sobre seu olfato apurado. Já Gambit, sem cartas suficientes à disposição, recorre às cartas de Pokémon de Chelsea, filha do proprietário do orfanato para improvisar munição energética.




Quando centenas de inimigos encapuzados cercam o local, Wolverine alerta os companheiros para que mantenham distância dele assim que o combate começar. Ele pretende lutar sem contenção. Jubileu, por sua vez, reflete sobre o caminho que a levou até ali: de adolescente frequentadora de shopping a soldado em uma guerra pela sobrevivência mutante. Ela preferiria dançar, cantar e criar fogos de artifício coloridos no céu, mas entende que, para conquistar esse futuro, é preciso lutar.



Gambit recorre ao tal segundo olho de Agamoto que retirou de Sadurang, na primeira edição, liberando uma onda massiva de energia verde que envolve todo o campo de batalha. Com o conflito encerrado, os X-Men se reagrupam. Vampira decide entregar Sarah às autoridades, a levando até uma pista de pouso particular sendo entregue à diretora da instalação prisional da Mansão X.



A entrega, no entanto, vem acompanhada de um aviso: se Sarah for transformada em arma pelo governo, Vampira destruirá pessoalmente a prisão privada e a fará “engolir cada pedaço”. A ameaça deixa claro que, embora forçada a confiar no sistema, ela não tolerará abusos. Ao partir, Vampira promete que um dia os X-Men retomarão seu lar.

Gail Simone consegue nesta edição fechar um arco com todos os elementos que foram deixandos ao longo das histórias, consolidando a liderança de Vampira, destacando o amadurecimento dos jovens mutantes e oferecendo um dos sacrifícios mais tocantes na história dos X-Men. Ao transformar Harvey em X-Man, ainda que simbolicamente, a história reafirma o ideal central da equipe: heroísmo não é apenas poder, mas escolha, mesmo quando ela custa tudo.

 

A mudança dentro de nós.

Uncanny X-Men #6 (Publicada em Os Fabulosos X-Men #7 – Panini Comics)

Roteiro: Gail Simone / Desenhos: Javier Garrón

 



Esta é uma edição de respiro. Até o desenhista muda para que Marquez possa descansar. A história se inicia seis anos antes, na propriedade da família de Becca, na Virgínia. A jovem aparece sentada enquanto a mãe penteia seus cabelos, em uma cena que à primeira vista sugere intimidade e cuidado. No entanto, o diálogo rapidamente revela um ambiente sufocante. Becca manifesta o desejo de frequentar a escola local para fazer amigos, inspirada pela filha do novo caseiro da propriedade.



A reação da mãe é desproporcional e perturbadora. Obcecada em manter a filha isolada e dependente, ela fabrica uma acusação absurda contra o caseiro, suficientemente grave para arruinar sua vida, apenas para impedir qualquer influência externa sobre Becca. O episódio estabelece a base do trauma da personagem: uma criação pautada pelo medo, manipulação emocional e pela negação de sua identidade.



No presente, em Haven, a exigência de que os jovens frequentem a escola desencadeia um surto na garota, evidenciando as marcas desse abuso. Em vez de reagir com violência, Vampira e Gambit adotam uma postura firme e acolhedora, assumindo de vez um papel quase parental. Em conversa sensível, Gambit ajuda Calico a aceitar sua identidade mutante, e ela decide enfrentar o primeiro dia de aula.

A ida à escola simboliza o início de uma nova etapa. Antes de embarcar no ônibus, Calico se despede de Ember e recebe de Chelsea um dinossauro de pelúcia como objeto de apoio emocional. O gesto de ternura contrasta com a recepção hostil que os jovens encontram no ambiente escolar.



Provocações surgem quase imediatamente. Resgate se prepara para reagir com violência quando Arrepio, alvo de ofensas, o impede, afirmando que não vale a pena. Ainda assim, o clima permanece tenso. Resgate e Sonho de Morte, incomodados com o sofrimento da colega, confrontam alguns dos agressores no banheiro, evidenciando como a linha entre defesa e retaliação é tênue. O diretor da escola, ao receber o grupo, aconselha que mantenham discrição para evitar problemas, uma recomendação que revela o medo latente da comunidade em relação aos mutantes.



Enquanto os jovens enfrentam o desafio da integração, Jubileu e Noturno seguem para a cidade cumprir tarefas domésticas. Em uma loja local, Kurt percebe algo estranho do lado de fora e se teletransporta sem aviso. A decisão deixa Jubileu sozinha no momento em que o cano de uma arma é pressionado contra sua cabeça.

Paralelamente, Noturno salva uma criança prestes a ser atropelada por um caminhão. Ao contrário do que ele próprio parece esperar, a mãe da criança não reage com medo, mas com gratidão. Ela o chama de anjo, beija seu rosto e o alerta para fugir quando um policial armado se aproxima. A cena sintetiza a ambiguidade do momento: entre o preconceito e o reconhecimento individual.



Quando Kurt retorna ao ponto onde deixara Jubileu, ela não está mais lá.

Wolverine compartilha com Vampira e Gambit a história de uma promessa feita com antigos companheiros de guerra, envolvendo uma garrafa de tequila: o último sobrevivente ficaria com ela. Agora, diante da possibilidade de abrir a garrafa, Logan encara a simbologia de encerrar mais um capítulo de perdas acumuladas ao longo de décadas.



Vampira, ainda com resquícios do poder precognitivo de Harvey em sua mente, percebe que o amigo não está bem. Seu corpo é quase indestrutível, mas sua mente e seu coração permanecem vulneráveis. A conversa expõe um trauma profundo, uma espécie de estresse pós-traumático que o fator de cura não pode resolver. O abraço de Vampira funciona como reconhecimento de que o herói também precisa de apoio.

A edição termina com um golpe direto: Calico é atraída para o ginásio da escola e capturada por agentes da prisão na Mansão X. A Dra. Ellis comemora a captura de seu “alvo”, deixando claro que o cerco aos jovens está apenas começando e que o confronto será inevitável.



As ações da Dra. Ellis apontam para um confronto inevitável que unirá as equipes de Vampira e Ciclope. A "Invasão à Graymalkin". O primeiro grande crossover da fase “Renascidos das Cinzas”.



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