Superman: Herói para Todos homenageia o Homem de Aço com espetáculo visual

Leonardo Fraga
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Se tem uma coisa que gosto do escritor Dan Jurgens é que volta e meia ele faz uma história do Superman recapitulando tudo da vida do super-herói. Um resumão! Isto é ótimo para quem lê HQs de Super Heróis onde geralmente a cronologia é uma bagunça.




“Superman Herói para Todos” se insere exatamente nessa proposta. A obra é ao mesmo tempo uma porta de entrada acessível para novos leitores e uma homenagem respeitosa ao legado do herói. Publicada pela Panini Comics em formato gigante, com 80 páginas e capa cartão, a edição se destaca pelos impressionantes desenhos de Bruno Redondo (Asa Noturna), potencializados ao máximo pelo tamanho ampliado da HQ, que valoriza cada detalhe de sua arte.



Jurgens insere esta história durante a era DC Renascimento, longe dos acontecimentos atuais das séries regulares da DC.

Após conter a invasão de um robô gigante à Metrópolis, Superman desaparece e a Terra é invadida em grandes proporções por dois vilões clássicos do Azulão. Um é o Superciborgue (Hank Henshaw) e o outro é Máxima, rainha conquistadora do planeta Almerac. No fundo ela nutre uma mágoa por Superman tê-la rejeitado.




Enquanto o planeta sucumbe, os heróis tentam resistir, mas são rapidamente derrotados. Em meio ao caos, Lois Lane permanece em Metrópolis ao lado do Batman, investigando o paradeiro do Superman. Paralelamente, os pais de Clark fogem com o neto Jonathan Kent, retratado aqui ainda quando criança.




A narrativa então se fragmenta entre passado e presente, apresentando uma realidade alternativa em que elementos fundamentais da história do Superman foram distorcidos: seu pai morre tragicamente, Clark é influenciado por Lex Luthor a ir para Metrópolis, onde anos depois se torna Editor Chefe do Planeta Diário, enquanto Lois está casada e com filhos, de Luthor!




Esta parte lembra a aclamada HQ "Para o Homem que Tem Tudo" (1985), escrita por Alan Moore e ilustrada por Dave Gibbons. Na trama, Batman, Robin e Mulher-Maravilha visitam a Fortaleza da Solidão no aniversário do herói, encontrando-o preso a uma planta parasita alienígena, a "Clemência Negra". A planta induz uma alucinação onde ele vive seu maior desejo: uma vida em Krypton que nunca foi destruída.



Mas neste caso, a ilusão contradiz tudo em que Clark acredita, se revelando uma ilusão criada pelos invasores para manter Superman aprisionado, neutralizando a única ameaça real ao domínio da Terra. Quando o herói finalmente se liberta, Jurgens assume também os desenhos e conduz seu famoso “resumão” da carreira do personagem. Relembra eventos icônicos como sua chegada à Terra, morte e retorno, casamento e até fases mais controversas, como a transformação elétrica. Elementos recentes da fase Renascimento também são incorporados, incluindo o retorno de Jor-El, o período da família Kent em Hamilton e o nascimento de Jonathan.





Apesar da proposta de celebrar o legado do personagem em uma grande homenagem, a execução não é perfeita. O título sugere um Superman “para todos”, mas a humanidade aparece pouco representada, reduzida a uma família simbólica que surge na conclusão da história, em meio a batalha final onde o Superman e Máxima estavam detonando a cidade. Só para fazer uma cena bonitinha.



Existem capas da série regular feitas por Jorge Jimenez que sabem mostrar como o Superman realmente é o herói para todos. Ele na escola com as crianças, ele voando pela cidade e todos felizes com sua presença e proteção. 




A história da HQ tenta falar que sem o Superman a Terra está fadada a cair, o que não é verdade, pois existem muitos super-heróis que já resolveram crises piores. Torre de Babel, Ponto de Ignição e A Noite Mais Densa são alguns exemplos. A história está mais para Superman Herói para todos os heróis, já que sem ele, eles não dão conta da ameaça.





Ainda assim, o roteiro demonstra controle ao evitar que o montante de personagens transforme a narrativa em um desfile desordenado de participações especiais. Tudo converge para reforçar o papel do Superman como eixo moral e emocional, uma constante na abordagem de Jurgens.




“Superman: Herói para Todos” se estabelece como uma obra de celebração, uma síntese afetiva da trajetória do herói, carregada de nostalgia e apelo visual. No entanto, a pressa em condensar tantos elementos compromete seu impacto narrativo. É uma leitura agradável e visualmente deslumbrante, mas que dificilmente se firmará entre as histórias mais memoráveis do Homem de Aço.





Tributo ao próprio autor

 

“Superman Herói para Todos” é um tributo pessoal à própria carreira de Dan Jurgens, especialmente pelas escolhas dos vilões. Máxima teve um romance com o Superman durante a saga Armageddon 2001, em 1991, saga esta desenhada por Jurgens com roteiros de Dennis O'Neil e Archie Goodwin.



E o Superciborgue (Hank Henshaw) foi um vilão criado por ele que teve grande participação no Retorno do Superman e sempre que tem chance o traz de volta. Quando assumiu a revista Action Comics na fase Renascimento, além de Apocalypse (outra criação de Jurgens), o roteirista trouxe o Superciborgue também.



Jurgens começou a trabalhar com o Superman no fim dos anos 1980, após a reformulação promovida por John Byrne, assumindo rapidamente um papel central nos títulos do Homem de Aço. Seu momento mais emblemático veio nos anos 1990, quando escreveu e desenhou a clássica saga A Morte do Superman. A história tornou-se um fenômeno editorial global e redefiniu o alcance midiático dos quadrinhos de super-heróis.


Arte original da Morte do Superman, referenciada abaixo por Redondo em Superman Herói para todos.




Após esse arco, Jurgens continuou profundamente envolvido com o personagem, participando de fases importantes que ajudaram a consolidar o universo do herói ao longo da década. Após um período afastado, retornou em 2010 durante a fase Renascimento, para trazer de volta uma versão mais clássica do herói, alinhada à essência tradicional do Superman, após o fim dos Novos 52.



A arte é o grande Tesouro da edição

 

Apesar de sua importância, o roteiro de Jurgens oscila em Herói para Todos, mas o mesmo não pode ser dito da arte. O grande destaque da edição é o trabalho do espanhol Bruno Redondo, com arte-final do brasileiro Caio Felipe. Beneficiado pelo formato “Treasury Edition”, tabloide, semelhante a clássicos como “Superman vs. Muhammad Ali” e "Superman Paz na Terra". Redondo entrega páginas amplas, dinâmicas e visualmente impressionantes. Seu traço equilibra um realismo estilizado com forte influência cinematográfica, criando composições fluidas que valorizam movimento e grandiosidade.



Cada página parece pensada para impressionar e Bruno faz belíssimas Splash Pages do Super e de outros heróis, que valem a pena admirar. A arte da capa, homenageia a imagem clássica do filme Superman (1978) com Christopher Reeve voando ao lado da Terra. Dessa vez com o Super dando uma piscada para o planeta.






A colorização do brasileiro Adriano Lucas complementa a obra com cores vibrantes e uso estratégico de retículas nas sequências do passado, trazendo o clima de uma revista antiga do Superman.




Verão do Superman

 



Na época do lançamento do filme Superman (2025) de James Gunn com David Corenswet no papel principal, a DC Comics lançou uma iniciativa editorial chamada Summer of Superman (Verão do Superman), já que o filme foi lançado em julho, verão no hemisfério norte.

A HQ “Superman Herói para todos” (Hero for All, no original) que faz parte dessa iniciativa, foi adiantada pela Panini Comics e lançada em Dezembro de 2025, mas as outras HQs que compõem a fase terão início somente agora, em abril de 2026. Coincidentemente próxima ao Dia do Superman, comemorado em 18 de abril, celebrando o lançamento da primeira aparição do personagem em Action Comics #1 em 1938.




Com uma abordagem mais acessível do personagem, Superman: Herói para Todos é uma HQ concebida justamente para atrair novos leitores, especialmente aqueles que tiveram contato com o herói por meio do novo filme. No entanto, como a edição brasileira chegou às bancas bem depois do lançamento, a Panini Comics optou por suprimir o conteúdo especial relacionado ao longa presente na versão original.




Sem esse vínculo direto com o cinema, Herói para Todos preserva um forte apelo nostálgico, apostando em uma estética que dialoga diretamente com leitores mais antigos. Por outro lado, para o público iniciante, alguns elementos podem soar deslocados em relação à continuidade atual, como a representação de Jonathan Kent ainda criança, diferente das histórias mais recentes, nas quais o personagem já aparece em uma fase mais madura, atuando como Superboy.



 

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