Dylan Dog Gigante #11 – Horror Cult Movie

Leonardo Fraga
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Uma das marcas registradas de Dylan Dog é o amor por filmes de terror, principalmente aqueles bons e velhos Filmes B, cheios de exagero, sangue e frases de efeito. E é justamente isso que move essa história, que gira em torno da franquia fictícia Bloody Evil. O astro desses filmes é Dutch Dillon, um brutamontes que parece uma mistura de Arnold Schwarzenegger com Bruce Willis, só que com ainda menos paciência.



Dylan Dog Gigante tem roteiro de Pasquale Ruju e desenhos de Maurizio Di Vincenzo. A capa, de Angelo Stano traz uma bela representação da personalidade de Dylan Dog, assistindo seus filmes de terror à vontade com os monstros.




A HQ começa mostrando um filme da série, Bloody Evil, onde o mundo já foi pro ralo: é tudo tomado por monstros e zumbis, e Dutch vai abrindo caminho na base da porrada, tentando salvar quem dá e sobreviver como pode. Tem ação o tempo todo, violência sem freio e aquele festival de frases clichês. Vamos acompanhando trechos do filme com o roteiro nas legendas, por exemplo: “câmera em plano aberto. Dillon no centro e sol ao fundo. Música triste”.





Esses momentos dos filmes vão sendo intercalados com o cotidiano do Dylan: assistindo TV, conversando com o Groucho, encontrando Bloch em um Pub… aquela rotina clássica. O resultado é uma mistura bem interessante de cinema e quadrinho. Só que a coisa começa a escalar quando o diretor da franquia, John Munro, descobre que o estúdio decide não dar continuidade à franquia Bloody Evil, que chegaria ao 8º filme. Munro então resolve se matar com uma motosserra. A partir daí, um cinema local organiza um festival em homenagem a ele, exibindo os sete filmes da série ao longo da semana.





Claro que Dylan, fã assumido, vai ao festival. Lá ele acaba fazendo amizade com um grupo de crianças fãs de terror (o que combina muito com o personagem), além de cruzar com um crítico de cinema, o produtor da franquia e até uma atriz protagonista de um dos filmes. Passamos a acompanhar não só as cenas na tela, mas também as reações da plateia. Aquela coisa de comentar o filme, levantar pra comprar pipoca, conversar no intervalo… tudo bem natural.





Em determinado momento a história dá uma virada: em um dos filmes, a tela simplesmente engole as pessoas, jogando todo mundo dentro daquele universo apocalíptico. A partir daí, eles passam a viver o caos ao lado do Dutch Dillon. É como “O Último Grande Herói”, com o Schwarzenegger, só que ao contrário. Ao invés do herói sair da tela, é o público que entra.





Aqui é engraçado porque o crítico de cinema é o que age com mais ceticismo, enquanto os outros embarcam na ação. Ele fala mal das falas dos personagens, das cenas e até puxa um Flashback para contar a origem do Apocalipse Zumbi que estão vivendo.



Os desenhos do Di Vincenzo estão excelentes, especialmente nas cenas de ação dos filmes, que têm um ritmo muito bom e seguram bem a leitura. O problema é que 236 páginas acabam sendo demais pro Ruju. A ideia é ótima, essa mistura de cinema splatter com bastidores, linguagem de roteiro, reação do público e crítica, é bem criativa. Só que, no meio do caminho, a história começa a perder fôlego e a se encher de barrigas que prolongam demais a trama.







E quando chega no final, vem um plot twist bem bizarro. O Ruju gasta várias páginas tentando explicar tudo e amarrar as pontas, mas a sensação é que o leitor já está mais cansado do que curioso. Dá aquela vontade de só chegar logo ao fim.



Mesmo assim, tem coisas que funcionam muito bem. A interação de Dylan com as crianças é ótima, tratando os pequenos de igual pra igual. E tem um momento específico que vale destaque: uma página que mostra o roteiro descrevendo a cena… e dentro dessa cena, outro roteiro. Uma espécie de meta-meta linguagem que resume bem a proposta maluca (e interessante) da HQ.







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