Predador versus Wolverine: Rivalidade e sobrevivência em confronto brutal

Leonardo Fraga
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A minissérie Predador versus Wolverine inaugurou uma série de crossovers entre personagens da Marvel e os adquiridos da 20th Century Fox, pela Disney. No Brasil, a história foi publicada em um encadernado pela Panini Comics com 136 páginas. A edição brasileira tem tradução de Yuri A. O. Primitz e a capa é de Marco Checchetto.

Com roteiro de Benjamin Percy, que na época escrevia a mensal de Wolverine, a história se inspira em várias HQs para abordar o passado de Wolverine, mas da parte do Predador, Percy se inspira em apenas dois filmes. Aliens vs. Predador (2004) e o Predador original de 1987. Ele explora principalmente armas, naves, visual e acontecimentos misturando estes dois filmes com a trajetória de Logan.

A arte foi dividida entre vários artistas para refletir as diferentes fases da trajetória de Logan. Ken Lashley assume o presente, Greg Land (com arte-final de Jay Leisten) ilustra o jovem Wolverine, Andrea Di Vito desenha o período na Equipe X, Hayden Sherman fica responsável pela fase do Projeto Arma X, Kei Zama retrata o treinamento com Muramasa no Japão e Gavin Guidry cuida da etapa em que Logan está no Instituto Xavier, em Westchester.

A paleta de cores também varia de acordo com o período das histórias para dar identidade a cada capítulo. Conta com Juan Fernandez, Frank D’Armata, Matthew Wilson e o brasileiro Alex Guimarães



"Se sangra, podemos matá-lo" (Dutch - Predador 1987)

 

A história acompanha uma série de confrontos entre Logan e um Yautja, raça alienígena conhecida como Predadores, por diversas eras do mutante. Ela começa no presente, em uma floresta do Canadá, já no meio de uma nova caçada do Predador ao Wolverine. Este já bastante ferido e acuado, busca fugir de seu perseguidor.






O primeiro encontro dos dois acontece ainda no início do século XX, quando Logan vivia nas florestas congeladas do Alasca, de modo selvagem. Ainda jovem, este Wolverine é inspirado nos acontecimentos após a HQ Wolverine: Origem, de Paul Jenkins e arte de Joe Kubert. Logan se envolve em um conflito aparentemente banal ao ser contratado por um garimpeiro chamado Tucker, que alega ter o filho sequestrado.

A arte de Greg Land e Jay Leisten lembra os desenhos detalhados de Kubert para a minissérie Origem, mas também usa muitos elementos do filme X-Men Origens: Wolverine (2009), principalmente quando mostra flashbacks da infância de Logan.




Em paralelo, o Yautja chega à Terra e recupera uma arma de um membro de sua espécie congelado no gelo, um Shuriken. Aqui temos um dos primeiros elementos inseridos por Benjamin Percy que remete à mitologia  dos filmes. O Shuriken é uma arma constituída por seis lâminas retráteis, afiadas o suficiente para dividir um Xenomorfo (Alien) ao meio. A arma foi desenvolvida pelo diretor Paul W. S. Anderson para o filme Alien vs. Predator (2004), para substituir o Disco Inteligente de Predador 2 (1990). Fez isso porque considerava o disco parecido com um frisbee e o Shuriken uma alternativa mais letal.


Alien vs. Predator (2004)

Quando Logan chega a uma cabana onde estariam os supostos sequestradores, descobre que se tratava de uma armadilha. Após encontrar animais esfolados e membros de uma tribo Athabasca mortos, Logan massacra os supostos criminosos, apenas para descobrir que foi manipulado. O próprio Tucker o trai, antes de ser morto pelo Predador, que estava testemunhando toda a batalha e decide marcar Logan como uma presa, o desafiando.



O primeiro confronto termina sem um vencedor: Wolverine acredita ter vencido ao atrair o inimigo para o ataque de um urso, mas o Yautja sobrevive e leva a cabeça do urso como troféu. Logan, por sua vez, fica com o shuriken.



Percy começa a construir algo mais interessante na trama: uma filosofia de caça. Para Wolverine, a violência pode até ser necessária, mas nunca deixa de ser trágica. Ele entende o que faz, mas não romantiza. Por isso, olha com certo desprezo para o modo como os Yautja caçam, acumulando troféus e dependendo de tecnologia. Em um momento irônico, ele compara os Predadores a caçadores humanos que abatem animais com rifles modernos e ajuda externa, uma crítica direta à ideia de mérito na caça.




 "Ok, vamos ver as estatísticas. Sete homens mortos... despedaçados.”  (Detetive Mike Harrigan - Predador 2 1990)

 



Décadas depois, já sob o codinome Wolverine, Logan reencontra o mesmo adversário durante uma missão da Equipe X na América do Sul. Aqui, Logan já tem a memória apagada e não lembra do inimigo, mas carrega consigo o Shuriken da primeira batalha contra o Yautja. Desta vez, o Predador retorna com seu clã, ampliando a escala do conflito. Mesmo sofrendo perdas, Wolverine, Maverick e Dentes-de-Sabre conseguem dizimar boa parte dos inimigos e arquitetam uma armadilha para os alienígenas em um templo, utilizando explosivos e o Shuriken como isca. Ainda assim, o Yautja original sobrevive.



Como este capítulo se passa em uma floresta tropical, faz referência ao primeiro filme, Predador (1987), e o desenhista Andrea Di Vito recria a cena da minigun, apelidada no filme de “Old Painless”. Mas dessa vez quem metralha a floresta para atingir os inimigos é Dentes-de-Sabre.



Predador (1987)


A história então avança para a época em que Logan estava no Programa Arma X, sofrendo o processo de enxerto do adamantium em seus ossos. O Yautja descobre e fica obcecado pelo metal. Em uma das passagens mais marcantes da HQ, o Predador invade uma instalação do programa e rouba o corpo de Logan para ficar com seu esqueleto. Para evitar um confronto ele usa ácido deixando o crânio de Logan exposto.



A tentativa de fuga do alienígena fracassa após um ataque aéreo, permitindo que Wolverine se recupere e escape. O capacete do Predador é recuperado e estudado pelos cientistas do programa, servindo de inspiração para o famoso dispositivo de controle usado em Logan. Toda essa parte dialoga diretamente com a clássica HQ Arma X, de Barry Windsor-Smith, inclusive na forma como Hayden Sherman desenha os cabos e equipamentos que prendem o personagem.




Weapon X (1993)


"Eu não tenho tempo para sangrar" (Blain - Predador 1987)




 A perseguição continua no Japão, durante o treinamento de Logan com o lendário ferreiro Muramasa. O Predador reaparece usando o crânio do urso como troféu, reforçando o caráter ritualístico da caça. O duelo entre Logan e o Yautja termina rapidamente, mostrando a vantagem momentânea do alienígena, antes de ambos serem interrompidos por um ataque do Tentáculo.



Muramasa é um lendário e imortal ferreiro japonês na Marvel, conhecido por forjar lâminas místicas com partes de sua própria alma, resultando em armas com sede de sangue. Ele criou uma lâmina especial para Wolverine usando sangue e um fragmento da alma de Logan, capaz de anular fatores de cura e cortar adamantium. O personagem é inspirado no renomado ferreiro japonês Sengo Muramasa que viveu no período Muromachi (séculos XIV-XVI), famoso por forjar katanas de qualidade excepcional, extremamente afiadas e, segundo a lenda, amaldiçoadas.




A HQ se encaminha para sua reta final, mas antes o Predador encontra Logan no Instituto Xavier. Ao se entregar para proteger seus aliados, especialmente Vampira que havia sido feita de refém pelo Yautja. Longe da escola, Logan acaba sendo ajudado no confronto por Dani Moonstar, Noturno, Kitty Pryde e Vampira, enquanto o Yautja escapa utilizando tecnologia de camuflagem.

 

"Vá para o helicóptero!" (Dutch - Predador 1987)

 



O confronto final nos leva de volta à floresta canadense. Dessa vez, Wolverine inverte o jogo e passa a caçar o caçador. Há uma clara homenagem à cena clássica de Arnold Schwarzenegger como Dutch em Predador (1987), mas Percy subverte a expectativa: Logan usa um truque ainda mais extremo, arrancando o próprio olho para montar uma armadilha usando lama.





Percy adiciona aqui mais um elemento da mitologia dos predadores, que é quando o Yautja usa o Punhal Cerimonial para a última batalha contra Wolverine. O punhal é utilizado apenas como último recurso ou para retirar troféus de inimigos derrotados. Apareceu pela primeira vez em Alien vs. Predador, quando o Yautja conhecido como Celtic tentou finalizar o Xenomorfo Grid.



Alien vs. Predador (2004)


Wolverine conduz o confronto final com frieza estratégica. O embate é brutal e equilibrado, culminando em um ataque suicida do Yautja, que ativa um dispositivo de autodestruição com a intenção de eliminar ambos, como no filme original.



Mas, dias depois, Wolverine sobrevive à explosão graças ao seu fator de cura. Logan reconhece que sentirá falta do adversário, um inimigo que, ao longo de décadas, deixou de ser apenas uma ameaça para se tornar uma presença constante, um desafio que dava sentido à sua existência.

Muitos podem não gostar de crossovers, mas este aqui é realmente interessante. Não só pela arte incrível, mas também por não apostar no espetáculo vazio de, “o que aconteceria se fulano enfrentasse ciclano?”, mas sim na construção de um conflito com peso emocional e filosófico. A minissérie se destaca como uma surpresa tanto para fãs de Wolverine quanto para admiradores do universo dos Predadores.




 Curiosidade: 

Em 1993, a série em quadrinhos Alien vs. Predator: Deadliest of the Species, contou com roteiro de Chris Claremont. Entre várias referências à cultura pop, o autor incluiu na sala de troféus da nave “Big Mama”, os crânios de Batman, Ciclope e as garras de Wolverine.





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